Árvores dedicadas a Odileta Pansani de Haro e Paschoal de Haro, que morreram no mesmo dia, apresentam floração rara
Paschoal de Haro e Odileta Pansani de Haro. Foto: Arquivo pessoal
Ipês-verdes são plantas pouco conhecidas e sua primeira florada, geralmente, só ocorre com idade de 3 a 5 anos. Mas as mudas plantadas para homenagear um casal votuporanguense estão, sem motivo muito claro, florescendo após seis meses.
Os ipês-verdes plantados por filhos, netos e bisnetas do casal de Votuporanga, Odileta Pansani de Haro e Paschoal de Haro, que morreram no mesmo dia após 74 anos de casados, estão florindo de forma rara e incomum, e de maneira surpreendente, os exemplares já começaram a florir e a produzir sementes.
As árvores, chamadas de Odileta e Paschoal, foram plantadas a uma distância de sete metros uma da outra, com o objetivo de que, ao crescerem, suas copas se encontrem. O ipê-verde é considerado uma árvore também conhecida por propriedades medicinais e, segundo familiares, representa duas pessoas especiais que cultivaram o amor ao longo da vida, Odileta, conhecida como dona Arlete ou Letinha, e Paschoal.
O plantio foi realizado na chácara Tupi, de propriedade do filho do casal, Carlos Pansani De Haro, localizada em Votuporanga, entre o município e Álvares Florence.
Em conversa com a reportagem do jornal A Cidade, o genro do casal, Luciano Leal, relatou que Odileta e Paschoal costumavam passar alguns dias na chácara para aproveitar o contato com a natureza, ouvir os pássaros e observar a presença frequente de seriemas, mais especificamente um casal de aves que aparecia no local. “Era o local de refúgio para o casal”, contou.
De acordo com os familiares, o plantio dos ipês também está relacionado a um processo de ressignificação do luto, prática adotada para homenagear entes queridos que partem. “Eles foram plantados no dia 6 de julho e até então nós esperávamos que daqui a três anos ou cinco eles fossem florescer”, acrescentou.
A história do casal de Votuporanga, que teve cinco filhos, repercutiu nacionalmente pelo fato de Odileta e Paschoal terem morrido no mesmo dia, em 17 de abril de 2025, após 74 anos de casamento. Ela faleceu às 7h e ele às 17h, circunstância que chamou a atenção de pessoas em diversas localidades do país.
Luciano compartilhou sua percepção sobre o desenvolvimento das árvores: “eu acredito muito que o amor deles, e o amor dedicado por todos esses entes queridos que amavam o casal, ao plantar essas árvores em solo fértil e essa brisa suave de Votuporanga, tudo isso acabou influenciando no desenvolvimento raro desses ipês verdes. Por isso elas estão crescendo tão bem. Símbolo do amor de Odileta e Paschoal, que viveram 74 anos de casados e 77 desde que começaram a namorar. A explicação para a floração é o amor”.