Dr. Leandro disse que a gestão do atual presidente da Câmara, Daniel David, é pífia e cobrou a contratação de assessores
Dr. Leandro disse que a gestão do atual presidente da Câmara, Daniel David, é pífia e cobrou a contratação de assessores (Foto: Assessoria)
Franclin Duarte
franclin@acidadevotuporanga.com.br
O vereador Dr. Leandro (PSD) utilizou a tribuna da Câmara Municipal de Votuporanga, durante a audiência pública de discussão da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para criticar a atual gestão da Casa, comandada pelo presidente Daniel David (MDB), classificando-a como “pífia” e apontando a falta de estrutura para o trabalho parlamentar. O edil defendeu a contratação de assessores para os gabinetes dos vereadores e disse que a economia divulgada “com orgulho” pelo Legislativo não se traduz em benefício para a população.
Segundo o vereador, a Câmara de Votuporanga utiliza atualmente 1,4% do orçamento municipal, valor muito abaixo do limite constitucional, que após a atualização do censo passou de 7% para 6% da receita corrente líquida. Para ele, a situação não deve ser tratada como sinal de boa administração.
“Estamos pegando 1,4% do que teríamos direito. Em que lugar do mundo, em que empresa pública ou privada, gastar uma parte tão pequena do orçamento significa boa gestão? Ao contrário, é sinônimo de uma gestão pífia. Temos direito a usar esses recursos em favor da população e não fazemos absolutamente nada. Isso me envergonha como vereador”, afirmou.
O parlamentar argumentou que a ausência de estrutura compromete o trabalho legislativo e o atendimento ao cidadão. Ele citou o caso do colega Cabo Renato Abdala (PRD), que, segundo relatou, utiliza as redes sociais para explicar que não consegue responder todas as demandas devido à falta de assessor.
“Essa é uma das poucas câmaras de cidades do nosso porte em que o vereador não conta com assessor. Se o parlamentar precisa sair para cumprir compromissos, o gabinete fecha e a população não é atendida. Isso é inaceitável para uma cidade como a nossa”, declarou.
Leandro também mencionou sua própria experiência para exemplificar o que ele aponta como dificuldades enfrentadas. Segundo ele, em compromissos recentes em São Paulo, seu gabinete permaneceu em funcionamento apenas porque ele mantém, com recursos próprios, uma funcionária para atendimento.
“Meu gabinete só não ficou fechado porque eu pago do meu bolso uma assessora para atender a população. Essa situação evidencia a má gestão da Câmara, que não oferece condições mínimas de trabalho aos vereadores”, criticou.
O vereador afirmou ainda que, durante a eleição para a presidência da Câmara, teria sido prometido que o projeto para a contratação de um assessor para cada vereador seria colocado em tramitação, mas a promessa não saiu do papel.
“Ficou combinado aqui dentro que haveria um aumento na estrutura, mas eu me assustei com o número irrisório que foi apresentado. Não dá para cumprir metade do que foi prometido. Isso envergonha cada vereador, porque passamos a imagem de que não trabalhamos, quando, na verdade, não temos condições de atender a população”, disse.
Na comparação com outros municípios, Leandro citou o exemplo de São José do Rio Preto, onde cada parlamentar conta com três assessores e dois estagiários, totalizando cinco servidores por gabinete.
“Lá, os vereadores conseguem manter o gabinete aberto, atender a população, estar nas ruas e ao mesmo tempo acompanhar o trabalho interno. Aqui, temos apenas duas servidoras exemplares que atendem aos 15 vereadores, além do chefe de gabinete da presidência. Não conseguimos oferecer um serviço de qualidade por falta de estrutura”, afirmou.
Para o vereador, a economia divulgada pela Câmara não se reflete em benefício à cidade, mas sim em prejuízo. “Não é uma economia, é um desserviço. É como se o prefeito tivesse R$ 57 milhões para gastar, guardasse R$ 50 milhões e investisse apenas R$ 7 milhões, enquanto a população precisa de serviços. A Câmara tem direito a usar até 6% do orçamento, mas gasta pouco mais de 1%. Isso não é exemplo de gestão. É limitar a atuação dos vereadores e deixar a população sem atendimento adequado”, completou.
Leandro defendeu que os parlamentares se mobilizem para rever o atual modelo e assegurar mais condições de trabalho. “Precisamos encarar essa situação de outra maneira. Não se trata de gastar mais por gastar, mas de estruturar o Legislativo para que o cidadão tenha um serviço de qualidade”, concluiu.