O provedor contou que o ano de 2017 foi desafiador para qualquer gestor, principalmente de instituições filantrópicas
Luiz Fernando Góes Liévana, provedor da Santa Casa de Misericórdia de Votuporanga (Foto: Arquivo/A Cidade)
Daniel Castro
daniel@acidadevotuporanga.com.br
Em conversa com A Cidade, o provedor da Santa Casa de Misericórdia de Votuporanga, Luiz Fernando Góes Liévana, o Torrinha, fez um balanço de 2017 e falou sobre as expectativas e desafios para 2018 no hospital.
Torrinha contou que o ano de 2017 foi desafiador para qualquer gestor, principalmente de instituições filantrópicas. Com o Brasil ainda vivencia as consequências da crise política e econômica, acrescentou, a solução foi unir forças e traçar estratégias com planejamento, inovando nos projetos, captação de recursos, visando o equilíbrio financeiro.
Ele destaca que tem uma diretoria muito atuante que o auxilia na administração do hospital, levando em consideração, primeiramente, o paciente, lutando para manter o que existe em funcionamento na instituição. “Contamos com apoio de corpo clínico, colaboradores, fornecedores, que estiveram conosco o tempo todo e cientes de todas as dificuldades deste ano”, observou. Mesmo com todo cenário, ele ressalta que todos “se dedicaram e demonstraram amor à nossa causa, pensando nos pacientes que tanto necessitam de assistência”.
Entre as missões da direção elencadas pelo provedor estão reduzir despesas e otimizar receitas. “Tudo foi possível graças às competências de nossas equipes, que atuaram de forma ímpar na manutenção de nossos serviços, diferente da situação de algumas cidades que fecharam hospitais”, apontou.
Em relação às conquistas, ele garantiu que são várias, como a captação inédita de coração, fígado, rins e córneas. O hospital tem a Comissão Intra-Hospitalar de Transplante (CIHT) há cinco anos e, em 2017, foi realizada esta captação, com ajuda de profissionais de São José do Rio Preto e São Paulo. “Sem dúvida, foi um marco para instituição”.
A Santa Casa é a segunda entidade que mais capta órgãos, e tudo isso, conforme Torrinha, graças ao empenho desta equipe vinculada à OPO-SJRP (Organização de Procura de Órgãos do Hospital de Base), que promove a ligação com a rede Nacional de Transplantes, oferecendo “esperança para pacientes que aguardam na fila”.
Finanças
Sobre finanças, o provedor disse que 2017 foi de muito trabalho, em que todos do hospital buscaram incessantemente recursos para equilibrar as finanças. “Uma palavra resume 2017: união. Foi uma força-tarefa de lideranças, vereadores, deputado Carlão Pignatari, o prefeito João Dado, que não medem esforços para ajudar a Santa Casa em busca de emendas parlamentares para a manutenção dos atendimentos”.
Lideranças locais viajaram para Brasília durante o ano, visitando gabinetes para apresentar a instituição e projetos, estreitando a relação com os parlamentares e possibilitando novos recursos.
Além disso, continuou, a comunidade de Votuporanga e região, mais uma vez, foi fundamental. Pessoas físicas, jurídicas se dedicaram à causa do hospital, promovendo eventos em prol da Santa Casa. “Graças a força do voluntariado, arrecadamos uma quantia considerável, que possibilitou diversos investimentos como a instalação de geradores de energia”.
As doações chegaram diariamente. As promoções de almoços, quermesses, leilões garantiram verbas durante todo o ano. Além destes eventos com 100% da renda para o hospital, a comunidade se articulou e destinou alimentos para Santa Casa, ciente da demanda de 1.700 refeições diárias para pacientes e acompanhantes. “Graças a este empenho da população de Votuporanga, de outras cidades e região, conseguimos fechar o ano vivenciando o poder da solidariedade, com a certeza de que juntos podemos muito mais em prol da saúde”.
Dificuldades
Torrinha lembra que as dificuldades são grandes para uma instituição deste porte, principalmente atender a demanda – de 470 mil habitantes – de forma humanizada, com profissionais qualificados e infraestrutura de ponta. A saúde financeira da Santa Casa também é um desafio, tendo em vista a defasagem da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS).
Outro desafio foi a crescente demanda do SUS, com redução de receita das operadoras de saúde diante da crise. Também sofremos com atraso dos repasses governamentais.
Desafios para 2018
Para este ano, o provedor garante manter o compromisso com Votuporanga e região em buscar ofertar maior número de serviços, com a mesma qualidade de atendimento humanizado e de estrutura.
Um dos projetos para 2018 é credenciar a Santa Casa como Hospital-Ensino, reconhecendo a instituição como adequada para o desenvolvimento de boas práticas assistenciais e educativas. Com este título, a entidade recebe recursos para melhorias em diversas áreas como criação de novos serviços, aquisição de equipamentos e materiais, qualificação da gestão, educação permanente e continuada e capacitação dos servidores.
“Além disso, queremos retomar o serviço de neurologia, atendendo o anseio de Votuporanga e região, garantindo assistência especializada”.