Karina Gonçalves Tirapeli de Biazi tem 49 anos e começou sua carreira em Santo André em 2001
A delegada Karina de Biazi conversou com a reportagem do jornal A Cidade sobre a sua trajetória na polícia Foto: Arquivo Pessoal
Da redação
Atual delegada titular do segundo DP de Votuporanga, Karina Gonçalves Tirapeli de Biazi completa, neste ano, 25 anos de serviço como delegada na Polícia Civil de São Paulo. Natural de Nhandeara, ela passou por Santo André, Ilha Solteira, Sebastianópolis do Sul e outras cidades da região antes de se estabelecer na cidade das brisas suaves.
Em conversa com o jornal A Cidade, ela afirma que foi inspirada pelo pai, que era investigador de polícia. “Cresci vendo ele trabalhar e me inspirar”, conta a delegada. Formada em Direito no ano de 1999, seu foco foi o cargo de delegada. No ano seguinte ela frequentou um cursinho em São Paulo e fez a prova do concurso, sendo aprovada em 2001 e começando a trabalhar no mesmo ano.
Seu primeiro loteamento foi em Santo André, no qual ela conta que passou momentos complicados, pois foram “duas épocas que a gente tava tendo aqueles ataques do PCC. Então a gente ficava ali nos plantões com as delegacias sendo atacadas. Aquilo era uma situação difícil para a gente lidar, era uma sistemática diferente daquela que você foi preparada pra trabalhar. As delegacias sendo atacadas, a gente ali com armas pesadas, tendo que viver aquela dinâmica de, muitas vezes, enquanto trabalha ali no plantão, saber que a delegacia próxima da sua foi atacada, com policiais mortos”, lembra a delegada. Ela também estava trabalhando na mesma cidade quando o então prefeito Celso Daniel foi sequestrado e assassinado em janeiro de 2002.
Por ser de Nhandeara, Karina sempre quis ficar na região do noroeste paulista. Após alguns anos pedindo transferência, ela foi realocada em 2004 para Ilha Solteira, na divisa com o Mato Grosso do Sul. Lá, ela foi responsável pela delegacia da mulher, onde ficou por mais cinco anos. Sebastianópolis do Sul e outras cidades seguiram até ela assumir o segundo DP de Votuporanga.
Relembrando de alguns casos que a marcaram, ela conta sobre um em Sebastianópolis do Sul que “foi uma situação de pedofilia, foi uma investigação muito boa que a gente fez, de um professor que assediava um aluno. E aí, diante desse aluno, que foi uma vítima, a gente conseguiu encontrar outros alunos que também sofriam esse tipo de assédio e a gente fez um trabalho bem legal. Apreendemos o celular do professor e a gente descobriu que tinha uma infinidade de pornografia infantil, e a gente conseguiu prender ele.” Uma outra história é sobre um plantão em Santo André “que eu passei uma noite em quatro locais de homicídio diferentes”, afirma.
Por ter assumido como delegada muito nova, com apenas 24 anos de idade, ela teve dificuldades para fazer as pessoas acreditarem que ela realmente ocupava aquele cargo. A policial conta de uma senhora que, ao pedir para ver o delegado, não acreditou que fosse ela com “essa carinha de menina”. “Tive que pegar minha funcional e mostrar pra ela, pra ela ter confiança e poder contar pra mim o que tinha acontecido”, explica.