Ela conta que o atraso dos responsáveis em questão é recorrente, assim como interações agressivas.
Agressões ocorreram na segunda-feira, 13, na Cemei Helena Buzato Rigo. Foto: A Cidade
Uma das educadoras agredidas por uma mãe de alunos na segunda-feira, 13, conversou com exclusividade com o jornal A Cidade sobre o ocorrido no Cemei Helena Buzato Rigo, localizada na rua Padre Izidoro Cordeiro Paranhos, na Vila América, em Votuporanga.
A mulher de 34 anos, que pediu para não ser identificada, conta que o atraso dos responsáveis em questão é recorrente, assim como interações agressivas.
Tudo começou quando a família não foi buscar os filhos no Cemei às 18h, horário do final das aulas. A situação, de acordo com a educadora, é recorrente. “A gente tentou todos os protocolos, que é ligar nos telefones que tem na ficha do aluno. Não houve comparecimento e nenhum telefonema foi atendido no horário que a gente tentou.”
Com a dificuldade de falar com os responsáveis, ela colocou os alunos em seu carro e os levou para o Conselho Tutelar, acreditando que tinha um plantão. “Só que chegando no plantão, ele estava fechado. Então eu ligava e não conseguia falar. Eu consegui depois com a plantonista, que atendeu, e passei todos os telefones que eu já estava tentando ligar para que ela continuasse ligando”, disse.
Após retornar à escola, ela relata que recebeu uma ligação da plantonista informando que havia conseguido contato com os pais e que a mãe buscaria as crianças. A educadora então iria preparar um lanche para os alunos, que falaram com ela que estavam com fome.
Foi nesse momento que as agressões aconteceram. “Na hora que eu fui para pegar o lanche, a mãe desceu a rampa da escola super alterada e falou para a educadora que estava junto segurando as crianças comigo, que ia acabar comigo, que ia me matar, que hoje ela ia acabar comigo. Mas eu a vi alterada e já desci logo em seguida. Na hora que eu cheguei, não teve tempo que eu falasse uma só palavra. Ela já me deu um murro na mão, derrubou o meu celular e me empurrou. A educadora se aproximou com as crianças e ela também tentava gravar, porque ela me ameaçava demais, ameaçava de morte. Ela tentou gravar, mas a mãe deu um murro na educadora, pegando o nariz dela e o peito”, relata.
Ela conta que seu pensamento foi em tentar proteger as crianças. “Falei, fica com a tia”.
De acordo com ela, as crianças estão acostumadas com situações de depender das profissionais da escola, já que “quando vai para o hospital, a gente leva, porque a família, você tenta contato, eles ficam incomunicáveis. Então é uma negligência pura.” A educadora ainda conta que foram mais de dez ofícios feitos sobre essa família por esse tipo de negligência.
“E aí eu chamei a polícia, ela aguardou, porque eu falei, ‘se você foi mulher para bater, você vai aguardar’. Várias pessoas falam, tinha que ter reagido, mas eu não sou dessa índole, não sou dessa educação, então o que eu fiz foi o que é dentro do legal. Chamei a polícia, a gente registrou o boletim e agora ela vai responder”, conta.
Sobre acontecimentos anteriores, de interações difíceis com essa mesma família, a mulher conta que já teve casos de “respostas bem ásperas, balançando o ombro, que não tem medo do Conselho Tutelar, não tem medo da polícia. Ela demonstra indiferença com tudo o que acontece.”