Grazi Cavenaghi (Foto: Divulgação)
3º episódio da série: As três leis invisíveis que regem a vida e os negócios
Seja incrivelmente bem-vindo ao nosso terceiro episódio da série As três leis Invisíveis que regem a vida e os negócios. É sempre uma alegria fechar a semana aqui com você, trazendo consciência, clareza e direção para o caminho à frente.
Seguimos aprofundando as leis invisíveis que organizam a vida e os relacionamentos. Após compreender o pertencimento e a ordem, avançamos para a terceira lei, aquela que sustenta a maturidade das trocas: a Lei do Equilíbrio.
Se a primeira lei garante que tudo e todos têm lugar, e a segunda organiza hierarquia e fluxo, a terceira regula as trocas entre iguais. Ela nos lembra que os relacionamentos saudáveis tendem ao equilíbrio entre dar e receber.
A Lei do Equilíbrio afirma: “As trocas entre iguais tendem ao equilíbrio.”
Nos relacionamentos entre adultos, parceiros, amigos, sócios, colaboradores e clientes, a balança busca harmonia. Um dá, o outro recebe. Depois, o outro dá e o primeiro recebe. É um movimento dinâmico, vivo e constante.
Entretanto, existem duas relações na vida que não seguem essa lógica: a relação com os pais e a relação com os filhos.
Com os pais, a troca é estruturalmente desigual. Eles nos deram a vida. E a vida jamais pode ser retribuída na mesma medida. Mesmo que cuidemos, honremos e ofereçamos o melhor, a fonte original sempre será maior. Quem veio antes é maior e dá. Quem veio depois é menor e recebe. Essa é a ordem.
O mesmo ocorre com os filhos. Damos a eles a vida. Por mais amor e cuidado que recebamos, essa troca também jamais será simétrica. São relações naturalmente desequilibradas, porque pertencem a uma hierarquia essencial.
Fora essas duas exceções, todas as demais relações pedem equilíbrio.
Observe uma balança de pratos: quando alguém oferece demais e o outro apenas recebe, o peso se acumula de um lado, a relação se torna pesada e o excesso de entrega, ainda que movido pelo amor, pode infantilizar o outro e retirar-lhe a dignidade e a autonomia.
Ao fazer pelo outro aquilo que ele já pode fazer por si, você o coloca em posição menor. Isso gera desconforto e, muitas vezes, movimentos compensatórios. Em relações conjugais, profissionais ou familiares, o desequilíbrio constante cria enroscos invisíveis que impactam a confiança, a reciprocidade e os resultados.
Da mesma forma, quando alguém tenta aproveitar-se do outro, retirando mais do que entrega, o sistema também reage. A balança busca ajuste.
Por isso, a maturidade é permitir que o outro ocupe seu lugar adulto. É oferecer, receber e permitir que o ciclo se complete.
No ambiente empresarial, essa lei se manifesta com clareza: um serviço prestado exige um pagamento realizado, um colaborador que entrega valor merece reconhecimento, um sócio que assume responsabilidade espera resposta na mesma proporção. Quando a troca é justa, o negócio flui; quando não é, surgem conflitos, ressentimentos e perda de energia para todos.
Na família, o mesmo princípio se aplica: ao assumir funções que pertencem a irmãos adultos, cria-se um desequilíbrio sistêmico, pois cada um precisa ocupar o seu lugar. Vale lembrar que equilíbrio não significa rigidez matemática; é um movimento orgânico e vivo, no qual hoje você oferece mais e amanhã recebe mais, e a dança das relações exige consciência a cada passo.
Bert Hellinger, criador da Constelação Familiar, foi quem identificou essas dinâmicas após o estudo do comportamento dos grupos e as intitulou Leis do Amor: assim como na Matemática e na Natureza, o sistema busca compensação e harmonia, e quando a troca é interrompida ou distorcida, o fluxo da vida se enfraquece. Aliás, ele simplificou a dinâmica que acontece nos grupos, na vida. e acertou no nome que lhes deu, pois Deus é amor em sua plenitude.
A Bíblia também nos orienta quanto à maturidade das relações. “Há tempo de plantar e tempo de colher” (Eclesiastes 3:2). A sabedoria está em reconhecer o momento de dar e o momento de receber.
Reflita:
Existe algum relacionamento em que você se entrega além do que é saudável?
Existe alguma relação em que você recebe e evita assumir responsabilidade?
Existe algum contexto profissional em que a troca não está clara?
Como nosso foco é progredir, vamos juntos?
Acione o botão da percepção: observe suas trocas, permita que cada pessoa ocupe o seu lugar de potência, entregue com consciência, receba com gratidão e ajuste a balança sempre que perceber excesso ou falta. O fluxo da vida vem do equilíbrio dinâmico.
Lembre-se: se o equilíbrio não existe na família, certamente não existirá no negócio. Nossos padrões repetem-se em todos os sistemas dos quais fazemos parte. Por isso, observe quando se está a violar alguma das três leis do amor: a Lei do Pertencimento, que nos ensina que o que pertence, pertence e não pode ser excluído; a Lei da Ordem, que estabelece que quem veio antes é maior e dá, e quem veio depois é menor e recebe; e a Lei do Equilíbrio, que afirma que a troca entre iguais tende ao equilíbrio entre o dar e o receber.
Percebido o desvio, peça perdão, arrependa-se e volte ao seu lugar de potência, pois nos renovamos a cada instante, bastando reconhecer o caminho e a ele retornar.
Entenda que sua ancestralidade e o núcleo familiar que lhe deu a vida são a força invisível que sustenta tudo o que você constrói. Imagine seus ancestrais como as raízes de uma grande árvore, seus pais como o tronco que a sustenta e as diversas áreas da sua vida como os galhos que dela se expandem. Quando as raízes são honradas e a ordem é respeitada, o equilíbrio é dinâmico, os galhos florescem e os frutos aparecem naturalmente. O pertencimento dá base, a ordem organiza e o equilíbrio sustenta.
Seguimos juntos, aprendendo a dar e receber com maturidade, porque queremos um eu melhor, as pessoas à nossa volta melhores, um mundo melhor.
Vamos juntos?
Porque juntos somos +