Toda propriedade rural carrega um poder invisível que muitas das vezes é o que define o resultado. Não está no solo, nem nos registros, e nem nas plantas ou nos animais, está no conhecimento e na vontade de aprender de cada produtor rural. Assim como no corpo humano, a água que bebemos é a mesma que transpiramos. Quando o produtor bebe desse conhecimento que vai até ele ganha informação que inevitavelmente expressa em sua produção.
Grande parte dos produtores rurais aprenderam a produzir com os pais e avós. Técnicas que funcionaram muito bem em outras décadas, quando o cenário era outro, o lucro da produção sustentava famílias gigantes e hoje dificilmente sustentam o casal, os custos dos insumos eram baixos, eram poucas opções de compra, a mão de obra era farta, muitas vezes familiar, o crédito era simples e o lucro vinha automaticamente por consequência. Produzia-se muito, anotava-se pouco e ainda assim a conta fechava.
Esse cenário mudou, o custo foi o primeiro a alertar, as margens estão cada vez mais apertadas, fertilizantes, ração, combustível, manutenção, impostos e mão de obra, pressionando o caixa todos os meses junto com oscilação dos preços. O que antes era detalhe virou obrigatoriedade, apesar de que ainda existem muitos produtores que continuam com pensamento antigo em um cenário totalmente novo, onde qualquer erro de gestão se transforma rapidamente em prejuízo. Trabalham muito, produzem cada vez mais, só que sem esse planejamento é como se tentasse carregar água nas mãos vendo ela escorrer pelos dedos até a nascente secar.
É aqui que o Programa ALI Rural, do Sebrae-SP atua exatamente nesse ponto crítico. O agente ajuda o produtor a enxergar o que, muitas vezes invisível na rotina, pode ser oportunidade de melhoria, custos ocultos como os de processos ineficientes e oportunidades de melhoria. Pensar além de se destacar e vender melhor, mas produzir com mais estratégia, reduzir desperdícios, escolher melhor onde investir o maior dos recursos, o tempo.
Onde muitos não conhecem seus custos, sua hora de trabalho e acabam aceitando qualquer preço. Quem conhece negocia e sabe até onde pode ir produzindo melhor, gastando menos, tendo margem e identidade de produto próprio com estratégia e travas de preço na compra de insumos e de venda com agregação de valor com processamento de produtos agrícolas que são comodity em queijo, doces, sucos e polpas de frutas.
Assim como no ciclo da água, o aprendizado, quando aplicado, se transforma em conhecimento e não fica parado. Ele se espalha pelas propriedades, fortalece a agricultura familiar e contribui para que o alimento que chega à mesa do consumidor seja produzido com mais qualidade, eficiência, sustentabilidade e viabilidade econômica.