Rose Seba e o prefeito Jorge Seba durante a coletiva da tarde de ontem. Foto: A Cidade
Daniel Marques
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O prefeito de Votuporanga, Jorge Seba (PSD), convocou uma coletiva de imprensa no auditório do Hotel Ibis Votuporanga, na tarde desta segunda-feira (2). O assunto foi a abertura de um processo contra o vereador Cabo Renato Abdala (PRD) devido a uma fala do parlamentar na primeira sessão ordinária da Câmara de Votuporanga, na semana passada, de que o chefe do Executivo teria feito transação com uma pessoa que poderia ter ligação com o escândalo do banco Master.
Na reunião, Abdala apresentou documentos que, supostamente, provam o envolvimento do prefeito com João Carlos Fabo Mansur, um dos investigados na Operação Compliance da Polícia Federal que atingiu o Banco Master.
Em seu discurso na Câmara, Abdala relatou: “documentos da Jucespe que indicam a Via House empreendimentos Ltda, CNPJ 20.050958/0001-2, constituída em 09/04/14, pelo prefeito Jorge Seba e seu filho falecido. Ela foi transformada na Nire 35300495713, Via House Empreendimento Sociedade Anônima em 26/09/2016. Ata da sessão, 19/09/17. O capital da sede foi alterado para R$ 15,350 milhões. Os trabalhos foram presididos pelo Sr. João Carlos Falbo Mansur, o investigado, representante da Reag Investimentos, investigado na Operação Carbono Oculto, na Operação Compliance, relacionado ao banco Master. Investigado por possível lavagem de dinheiro do PCC. Na sequência, aparece aqui na ata, número do documento 424.982/17-1, destituição/renúncia de Jorge Seba, com término do mandato para 31/8/18, ou seja, posterior. Aqui, quem quiser acessar, digita no Google Jucesp, a senha da nota fiscal paulista ou gov, você pesquisa lá os nomes aqui e tá lá pra todo mundo ver. Não acuso o prefeito de fazer parte do esquema do banco Master, mas eu afirmo que tem documentos da Jucesp que mostram que o prefeito fez transação comercial com um investigado por lavagem de dinheiro para o PCC, envolvido com esse monte de figurão aí, que vocês estão vendo. E a justiça cabe a Deus, porque a do homem a gente não acredita mais, porque não sabe quem tá envolvido.”
O prefeito fez a coletiva ao lado da primeira-dama Rose Seba. Em conversa com o jornal A Cidade, Seba contou que apesar de estar de licença médica, portanto proibido pelo médico de estar ali, se sentiu na obrigação de defender a sua honra, que, segundo ele, está sendo tentada, mais uma vez, pelo vereador Renato Abdala. “Não tenho nada a ver com o banco Master, passa longe da minha vida. Tenho uma ficha limpa, não existe esse questionamento. E [ele] faz menção ao caso, em 2020, em que ele já foi condenado, devido ao fato inverídico que ele levantou. Uma fake news, durante a campanha eleitoral. Então a Justiça já condenou esse cidadão a cinco meses de reclusão. Então ele desobedeceu a justiça, ele praticou um crime. E agora, nós estamos lidando com um condenado. Nós vamos ouvir quem? A população faz o julgamento. Eu estou aqui dizendo que eu não tenho nada com isso e agora eu já constituo advogados para que ele possa responder e apresentar as provas que ele tem. Eu estou tranquilo. Infelizmente a gente deveria estar discutindo uma coisa que era para a administração pública. Mas infelizmente ele insiste em levar o caso para o lado pessoal. Na passagem ele lembra o nome do meu filho, então acho que não precisava. Uma tragédia familiar que a gente viveu, não precisava lembrar isso. Se ele quer me ofender pessoalmente, até me ofenda, se é da índole dele. Se ele quiser levantar falsas testemunhas ou falsas situações, até suporto, mas não da minha família”, declarou. José Arthur Seba, o "Thui", filho do prefeito, foi morto a tiros em 2017, em Rio Preto. Seba entende que não é justo fazer acusações contra uma pessoa que não pode mais se defender.
Caso de 2020
Renato Abdala foi condenado a cinco meses de detenção por difamação. Em 2020, durante a campanha eleitoral em que conseguiu se eleger vereador, Cabo Renato publicou um vídeo nas redes sociais onde acusava o então candidato a prefeito, Jorge Seba (PSDB), de “ser sócio oculto” de um suposto empreendimento imobiliário de mais de R$ 15 milhões. À época, restou provado judicialmente que a informação era falsa e ele foi obrigado a excluir a postagem, assim como se retratar publicamente.
“Analisando em si as afirmações veiculadas pelo réu no vídeo objeto deste processo, em confronto com os demais elementos probatórios que constam dos autos, conclui-se que as mesmas são inverídicas e ofensivas à reputação da vítima, fato que era do conhecimento do réu, caracterizando a materialidade delitiva. De fato, embora não caiba aqui minuciosa análise a respeito das transações empresariais realizadas pela vítima, há elementos probatórios de que este não é proprietário do empreendimento, pois já havia se afastado da sociedade empresária, de acordo com as informações constantes nos registros públicos. Por conseguinte, as demais informações veiculadas também eram falsas, caracterizando fake news”, dizia a sentença na época.
A pena corporal imposta, no entanto, foi substituída por uma pena de prestação pecuniária, consistente no pagamento de três salários mínimos ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Votuporanga (FMDCA).