Fazendo leituras do meu dia a dia no meu computador, encontrei um texto que eu havia feito há mais de 20 anos. Li novamente, e novamente o achei maravilhoso. Resolvi passar para meus leitores, incluindo no texto também, uma visão mais atualizada dos meus sentimentos e muitas de minhas vontades. Repasso para que tenham a mesma sorte que eu tive. Veja bem, quando eu tinha somente seis aninhos de existência neste mundo fantástico, a professora do jardim de infância pediu aos alunos da minha turma que fizessem um desenho de alguma coisa que eles realmente adorassem. Eu desenhei a minha família. Depois, tracei um grande círculo com lápis vermelho ao redor das figuras. Desejando escrever uma palavra acima do círculo, eu saí de minha mesa e fui até à mesa da professora e disse: - Professora, como a gente escreve...? Ela não me deixou concluir a pergunta. Mandou eu voltar para o meu lugar e que eu não me atrevesse mais a interromper a aula. Eu dobrei o papel e o guardei no bolso. Quando retornei para casa, naquele dia, me lembrei do desenho e o tirei do bolso. Alisei-o bem sobre a mesa da cozinha, fui até a mochila, peguei um lápis e olhei novamente para o grande círculo vermelho. Minha mãe estava preparando o jantar, indo e vindo do fogão para a pia e em seguida para a mesa. Eu queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para ela e disse. - Mamãe, como a gente escreve...? – Filho, não dá para você ver que estou ocupada agora? Vá brincar lá fora. E não bata a porta, foi a resposta dela. Dobrei o desenho e o guardei no bolso. Naquela noite, tirei outra vez o desenho do bolso. Olhei para o grande círculo vermelho, fui até à cozinha e peguei o lápis novamente. Eu queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para meu pai. Alisei bem as dobras e coloquei o desenho no chão da sala, perto da poltrona reclinável do meu pai, e lhe disse: - Papai, como a gente escreve...? Filho, estou lendo o jornal e não quero ser interrompido. Vá brincar lá fora. E não bata a porta. Dobrei novamente o desenho e o guardei no bolso. No dia seguinte, quando minha mãe separava a roupa para lavar, encontrou no bolso da minha calça, enrolados num papel, uma pedrinha, um pedaço de barbante e duas bolinhas de gude. Todos os tesouros que eu havia encontrado enquanto brincava fora de casa. Minha mãe nem abriu o papel. Atirou tudo no lixo. Os anos passaram. Quando meu filho completara seus dignos seis anos de idade, também fez um desenho. Era o desenho de nossa família. Eu sorri quando ele apontou uma figura mediana, de forma indefinida e me disse: - Este aqui é você, papai! Acabei rindo e meu filho também riu. Eu olhei para o grande círculo vermelho feito pelo meu querido e amado filho ao redor das figuras e lentamente comecei a passar o dedo sobre o círculo. Ele desceu rapidamente do meu colo e avisou: Papai, já volto! E voltou. Com um lápis na mão. Acomodou-se outra vez nos meus joelhos, posicionou a ponta do lápis bem perto do grande círculo vermelho e perguntou: Papai, como a gente escreve AMOR? Eu abracei meu filho, muito emocionado, tomei a sua mãozinha e o fui conduzindo, devagar, ajudando-o a formar as letras, enquanto dizia: - AMOR, meu querido.... AMOR se escreve com as letras T.…E.…M.…P.…O. Conjugue o verbo amar todo o tempo. Use o seu tempo para amar. Crie um tempo extra para amar, não esquecendo que para os filhos, em especial, o que importa é ter quem ouça e opine, quem participe e vibre, quem conheça e incentive. Não espere seu filho, ou sua filha, terem que descobrir sozinhos como se soletra as palavras amor, família ou afeição. E faça o mesmo com seus amigos, parentes e também conhecidos. Você verá como é bom amar e ser amado. E por fim, lembre-se: se você não tiver tempo para amar, crie. Afinal, o ser humano é um poço de criatividade e o tempo bom..., o tempo é uma questão de espera e de paciência.
Recado meu nesta semana: Não é quem ouve teu coração bater, mas sobre quem sabe compreender o que ele sente. As pessoas chamam umas às outras de velhas, como se envelhecer fosse feio, fosse crime. Envelhecer é um privilégio e estar vivo é uma dádiva que nem todos têm a bênção de vivê-la. Uma oração será sempre mais forte que uma crítica. Se alguém fizer você feliz – Revide, com amor, no mesmo instante.