Infelizmente, é crescente em nosso país a presença do etarismo em diferentes aspectos da vida humana. Cabe esclarecer que etarismo é o preconceito manifestado contra pessoas por conta de sua idade. Segundo a OMS, um em cada seis idosos já sofreu algum tipo de violência, sendo o etarismo uma delas.
Em nossa experiência de vida, tivemos a oportunidade de conhecer em Shibuya, Tóquio, Japão, a famosa escultura de um jovem carregando nas costas seu pai idoso. Ele o traz de volta do abandono a que havia sido condenado por estar velho. Conta a história que o filho, que o havia levado para uma montanha gelada para morrer, enfrentou um problema para o qual não encontrava solução. Um amigo o orientou a procurar o pai que, certamente, encontraria a resposta. E foi exatamente o que ocorreu. Todos nós passamos ou passaremos por essa fase da vida.
Aqueles que tiverem a felicidade de conhecer netos, bisnetos e tataranetos sentirão, mais cedo ou mais tarde, as agressões decorrentes da idade avançada. Precisamos encontrar mecanismos para garantir a qualidade de vida das pessoas idosas, não apenas pela perspectiva de que todos chegaremos lá, mas principalmente pelo merecimento da existência e pela contribuição que SEMPRE podem oferecer.
O tempo dos avós é, sempre, repleto de afeto. A saúde dos idosos depende muito das oportunidades de interação social e do envolvimento com projetos e ações produtivas. Não se trata apenas de frequentar grupos da terceira idade, mas de ter responsabilidades, funções e vínculos afetivos.
Na semana passada, tive a infelicidade de sentir o etarismo ao tentar contratar um plano de saúde particular. Para meu espanto, a empresa simplesmente negou a contratação para mim e minha esposa. Éramos cinco no grupo: nós dois, meu filho, minha nora e meu neto. Eu e minha esposa fomos descartados, ainda que a legislação indique que essa atitude não tem amparo legal. O etarismo nos planos de saúde da rede particular é mais uma forma de desrespeito e agressão aos idosos.