Ao me preparar para escrever o texto para submeter à apreciação da gestão do jornal me deparei com uma questão que, acredito, merece nossa atenção.
A palavra que em sua origem significa, simplesmente, a interrupção do ruído é, também, sinônimo afetivo de meditação, introspecção, recolhimento interno e respeito aos ambientes em que nos encontramos.
Há momentos em que solicitamos o silêncio nos encontros de muitas pessoas, reuniões, ambientes de estudos, para ouvirmos, individualmente, outro ou outros “falantes” que tentam expressar seus posicionamentos, pensamentos e convicções. Respeito poderia ser um sinônimo desta atitude.
No entanto, quando substituída pela intencionalidade humana de cercear a manifestação livre de outros parceiros sob a face da Terra, torna-se uma agressão descomedida.
Infelizmente convivemos em um tempo que muito nos utilizamos da palavra “cala sua boca” em todos os ambientes de convivência humana. Nos esquecemos de um posicionamento que há muito nos esquecemos, temos dois olhos para ver o mundo, dois ouvidos para perceber os sons, dois braços para abraçar nossos semelhantes, duas pernas para buscar a aproximação com outros e, sabiamente, apenas uma boca. Precisamos aprender a utilizar todos os recursos que temos em dobro reduzindo, e muito, tagarelar sem dedicar atenção ao tempo de meditar sobre a nossa natureza gregária.
Uma das formas de saber ouvir aos outros é, exatamente, o que conquistamos com os escritos. São lidos em silêncio e, felizmente, conquistam provocar, individualmente, nossos pensamentos sobre as provocações presentes.
No entanto, quando a tentativa de calar as pessoas é um ato em franco processo de crescimento e fixação, temos que gritar em silêncio por meio de nossos escritos que caminham muito mais do que nossas vozes. Não é?