Medicamentos ganharam popularidade devido à rapidez que fazem pessoas perderem peso
Dr. Guilherme de Paula. Foto: Santa Casa
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou recentemente um alerta para o uso sem acompanhamento médico de alguns medicamentos para emagrecer, as chamadas canetas emagrecedoras. De acordo com o documento, cresceu o uso contra diabetes e obesidade de maneira irregular, além do uso para combater outras doenças que não foram aprovadas nas bulas dos medicamentos.
Essa ação da agência vem após ser noticiado o aumento expressivo de casos de pancreatite ligadas ao uso irregular das canetas que contenham semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida. Isso engloba todas as marcas que atuam legalmente no Brasil, sendo elas Ozempic, Saxenda e Mounjaro.
Para entender melhor a situação, o jornal
A Cidade conversou com o endocrinologista Dr. Guilherme de Paula. Ele explicou que a pancreatite é uma inflamação do pâncreas, órgão responsável pela produção de insulina. Normalmente isso ocorreria por um cálculo biliar, o abuso de álcool, infecção, dentre outras causas. “Às vezes ela tem ligação com o uso dos análogos do GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida. Mas a causa desses medicamentos levarem à pancreatite ainda não é estabelecida”, afirma.
Como todo medicamento, as canetas precisam que o usuário tenha acompanhamento médico regular. Guilherme lista alguns dos principais problemas do uso irregular como “esse medicamento pode não ser o mais indicado para o caso, então o paciente vai gastar à toa o dinheiro com esse medicamento. Segundo, pode haver problemas prévios de saúde que devem ser investigados para que não se agravem pelo uso das canetas. Terceiro, o medicamento por si só não faz uma grande queima de gordura, então será necessário outras orientações, principalmente nutricional e da parte de educação física para, de fato, queimar essa gordura.”
Sobre efeitos colaterais, o Dr. Guilherme alerta que “o paciente deve imediatamente comunicar ao médico que o está assistindo. Imaginando que ele está fazendo o uso por conta, então pode procurar um médico que for da confiança dela, ou o próprio pronto-atendimento, para ver se esse colateral é do medicamento ou não e tratar da melhor forma possível.”
Contrabando do Paraguai
Além do uso irregular de medicamentos aprovados, também existe o problema de medicamentos falsificados ou irregulares, fabricados de maneira ilegal no Paraguai. Somente em janeiro desse ano foram apreendidos mais de mil frascos de tirzepatida na BR-153 em São José do Rio Preto, todos vindos do país vizinho. O uso desse tipo de medicamento incorre uma série de outros riscos à saúde. Como não há uma regulação forte, é possível que esse tipo de medicamento contenha substâncias que não sejam as indicadas no rótulo, possam ter sido fabricadas sem a devida atenção às precauções sanitárias ou ambas as situações.