Cleide Semenzato é assistente social, escritora e atua na interface entre educação, família e políticas públicas, refletindo sobre os desafios das relações humanas e da proteção social. (Foto: Arquivo Pessoal)
Movimento é aquilo que nos mantém ocupados e impulso é aquilo que nos leva adiante carregando conosco a sabedoria de tudo o que já vivemos. Talvez tenhamos aprendido a valorizar demais o movimento, fazer, produzir, resolver, conquistar, planejar. Uma tarefa termina e outra começa. Uma conquista mal foi celebrada e já estamos pensando na próxima. Uma porta se abre e imediatamente procuramos outra. Vivemos como se parar fosse perder tempo. Todavia, há momentos em que a vida não nos pede velocidade porque a vida não pode ser medida pela rapidez com que chegamos a algum lugar. Ela também é construída por aquilo que conseguimos assimilar enquanto caminhamos. Cada experiência deixa alguma coisa em nós, como uma compreensão mais profunda, uma ferida que nos ensinou a ter mais cuidado, as dificuldades que revelaram uma força que desconhecíamos ou até a conquista que nos ensinou que nem tudo aquilo que desejamos precisa, necessariamente, ser aquilo de que precisamos. Então, quando nos movimentamos rápido demais, podemos acumular experiências sem realmente vivê-las, passando por tantas coisas que nem sempre nos transformam. É como ler muitos livros sem parar para pensar sobre nenhuma das histórias. O crescimento não está apenas no fazer, mas está no assimilar. Existe um espaço precioso entre um capítulo e outro da nossa vida, aquilo que chamamos de pausa. Esse intervalo não é tempo perdido, pois, é nesse silêncio entre uma experiência e outra que as peças começam a se encaixar e perceber que aquilo que parecia não fazer sentido tinha, afinal, um lugar na nossa história e aquilo que parecia desconectado começa a formar um caminho. A maturidade começa quando aprendemos a reconhecer que nem tudo precisa acontecer imediatamente e nem toda oportunidade precisa ser agarrada. Há uma diferença entre estar disponível para a vida e estar desesperadamente tentando preencher o vazio da vida. Precisamos apenas reconhecer o caminho que já percorremos porque existem portas que só enxergamos quando paramos de correr. Vamos agradecer as bênçãos e honrar aquilo que precisou ficar para trás. Respirar já é uma benção. Portanto, nada se perde na pausa e seguir em frente é levar consigo aquilo que a caminhada nos ensinou com a vida que estamos construindo.