Grazi Cavenaghi é especialista em Liderança Integral - grazicavenaghi@inspireacao.com (Foto: Arquivo pessoal))
Ninguém preparou você para a parte mais silenciosa de empreender. Quando você chega lá, quando finalmente as decisões são suas, há um silêncio que ninguém avisa. E em algum momento você se pergunta, sozinho, de madrugada: quem sou eu, de verdade, quando ninguém está olhando?
Estamos passando por um momento desafiador em todo o mundo. O mundo está adoecido e nos convida ao nosso pior. Nos convida a nos alucinarmos com o que vemos nas redes, a nos compararmos com os outros, a nos viciarmos. É um momento de extremismo, onde o foco é separar, e não unir. E, no meio de tudo isso, quem lidera sente a solidão de carregar o mundo nas costas.
Por isso quero começar por aqui: o que é transformar?
A palavra vem do latim transformare, que significa fazer, mudar de forma. Ela é composta pelo prefixo trans, que quer dizer através, além, e pelo verbo formare, que significa dar forma. Transformar é ir além do que a maioria vai, enxergar mais e nos moldar pelo amor de sermos nós mesmos.
O mundo nos convida ao nosso pior todos os dias, e muitas pessoas estão alucinadas buscando algo que possa salvá-las, mudar sua vida como num passe de mágica. Acreditam que existe algum lugar, alguma fórmula ou alguém que vai salvá-las: um novo guru, uma nova igreja, um método milagroso. Pensam que, só por estarem ali, tudo vai mudar. Mas as coisas não são assim. Não existe mágica. São as nossas atitudes que determinam se vamos seguir o nosso caminho ou não.
Na vida só existem duas opções: ou seguimos o ciclo vicioso ou o ciclo virtuoso. O ciclo vicioso é aquele que nos tira do caminho. O ciclo virtuoso é o que nos traz de volta para ele.
Nós estamos aqui com o propósito de sairmos da ignorância e caminharmos para a sabedoria. E para caminhar para a sabedoria é necessário voltarmos para a nossa essência e assumirmos a responsabilidade por quem somos. Cada um de nós tem uma identidade única. É ela que nos diferencia, que nos conecta ao nosso propósito, que nos faz caminhar gratos, confiando no processo.
Porém, somos seduzidos, a todo momento, pelo ciclo vicioso. Esse ciclo nos traz preguiça, ansiedade, vaidade, orgulho. Nos leva à dependência, ao desamor, à falta de perdão. É o ciclo que divide, que traz a inveja, o egoísmo, o medo. Ele destrói a nossa autoimagem e nos prende num caminho de desobediência ao nosso verdadeiro modo de viver. Nos afasta da nossa essência, do nosso eu verdadeiro.
E sabe o que alimenta o ciclo vicioso? As nossas historinhas de estimação. Ah, mas eu tenho raiva disso. Ah, mas eu fiquei frustrado com aquilo. Ah, isso não é para mim. São as desculpas que damos para continuar no erro, que vêm das nossas frustrações e dos nossos medos. Ficamos presos em julgamentos e acabamos nos afastando de quem realmente somos.
Esse ciclo nos faz viver uma vida de dependência emocional, de querer agradar os outros, de buscar validação externa. Nos deixa ansiosos, adoecidos. E assim passamos a reclamar e a sobreviver, em vez de viver.
Existe um ativo invisível no seu comando que nenhum balanço registra e que decide sobre o futuro da sua empresa mais do que qualquer estratégia: a clareza de quem você é. Quando você não conhece a si mesmo, você lidera a partir das suas historinhas, dos seus medos, dos seus rótulos. E quem lidera de rótulos conduz pessoas de rótulos também. Isso pesa, enrosca, adoece. Repare no custo: o fundador que nunca se conheceu forma sucessores que herdam a confusão. O líder que não habita a sua essência conduz a empresa a partir da insegurança, e a insegurança se multiplica na cultura.
Isso é o primeiro pilar da Governança Humana: o conhecimento de si é o primeiro ativo que nenhum balanço mostra, e é ele que sustenta tudo o que você constrói por fora. Governança Humana começa no dono. O dono que não se conhece governa de ego, de expectativa. O dono que se conhece governa de essência, de verdade, de propósito claro.
O convite que faço é o de adentrarmos, cada dia mais, no ciclo virtuoso, o ciclo das virtudes. Esse é o caminho da humildade, da retidão, do retorno à nossa essência. Ele exige que deixemos para trás aquelas historinhas que não nos servem mais e que acolhamos as nossas ansiedades, os nossos medos e as nossas frustrações.
Há mais de dois mil anos, Platão ensinava que ninguém governa os outros antes de aprender a governar a si mesmo. O domínio de si vem primeiro. E Jesus é o maior exemplo de alguém que viveu no caminho da retidão, no ciclo das virtudes.
E como nosso foco é progredir, vamos juntos?
Para entrar no ciclo virtuoso, comece por três movimentos. Aceite a realidade como ela é. Perdoe-se e perdoe os outros, reconcilie-se consigo e com quem está ao seu redor. E escolha agir no caminho do bem, das virtudes.
Transforme-se. O transforme-se é quando você é você. Olhe para dentro. Feche as portas para as distrações. Ame-se, perdoe-se, acolha-se, e liberte-se do ciclo vicioso. Porque quanto mais dentro, mais fora. Tudo começa e termina em você. O transforme-se é olhar para dentro, e assim você vira exemplo. E o seu exemplo arrasta o mundo.
Acolha o medo, vibre no amor e continue a caminhar no caminho da retidão. É só decidir e seguir, porque o que é seu vai cair no seu colo quando você estiver preparado. Logo, decida e vá, só vá.
Seguimos juntos, usando a Inteligência do Amor como guia para cada uma das nossas decisões, porque queremos um eu melhor, as pessoas à nossa volta melhores, um mundo melhor.
Vamos juntos?
Porque juntos somos +
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Grazi Cavenaghi é especialista em Liderança Integral - grazicavenaghi@inspireacao.com