Cabo Renato Abdala e Sargento Moreno atacaram o programa social criado por Lula em 2003
Esta foi a primeira sessão após o segundo turno das eleições presidenciais Foto: A Cidad
Da redação
A sessão da Câmara de Votuporanga que foi realizada nesta segunda-feira (26) foi a primeira após o segundo turno das eleições, que ocorreram no domingo, 25, e resultaram na reeleição de Lula (PT). Com isso, durante a sessão vários dos vereadores utilizaram a tribuna para opinar sobre o assunto, mas foi o Cabo Renato Abdala (PRD) que atacou com mais veemência o Bolsa Família.
Em sua fala, o ex-policial militar criticou o presidente reeleito por aumentar o valor do projeto assistencial, que foi responsável por tirar milhões de famílias da pobreza extrema, já no período eleitoral. Em sua visão, isso se configuraria como compra de votos. É importante ressaltar que, em 2022, o então presidente, Jair Bolsonaro, também aumentou o Auxílio Brasil, como tinha sido rebatizado o Bolsa Família, de R$ 400 para R$ 600. Esse ato veio a 100 dias da eleição daquele ano, mas, ao contrário do aumento atual, o da época iria durar apenas até o final daquele ano.
“Então, o Brasil é o reflexo do cidadão. O cidadão escolhe, então o Brasil é reflexo do cidadão. E o cidadão não respeita leis, simplesmente assim, né? Ninguém tá respeitando mais nada, tá todo mundo querendo acabar com a polícia, virou a farra do boi, pra não falar outro nome”, afirmou o vereador.
Abdala ainda citou vários versículos da bíblia, antes de afirmar que “como tem casa em Votuporanga que a pessoa tem um Cruze zero, painel solar na casa e cadastrada no Bolsa Família. Como tem caso de advogada cadastrada no Bolsa Família. Vai ser legal, ter dados abertos a gente poder mostrar algumas figuras que tem em Votuporanga.”
Ele ainda terminou seu tempo dizendo que “vamos tocar a vida, vamos trabalhar, que tem bolsa família para nós sustentar.”
Outro vereador que atacou os programas sociais do Governo Federal foi Sargento Moreno (PL). Segundo ele, “é lamentável defender um governo desse tipo, que há 20 anos tá no poder e precisa dar Vale-Gás pra população. É preciso dar Bolsa Alegria, porque é de todos os tipos de bolsa que ele pode fazer, ele inventou pra poder comprar votos nessa reta final. É inadmissível que os seus eleitores não entendam que em três anos o Taxadd não conseguiu dar um aumento no Bolsa Família, mas na hora da eleição o Lula conseguiu saber falar que não sabia que não tinha dado aumento.”
Segundo o Cientista político da Fundação Getúlio Vargas, Cesar Zucco, em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos (IHU), a classificação do Bolsa Família como compra de votos é estapafúrdia. “Se o Bolsa Família é compra de votos, qualquer outra política pública também é. Chamariam uma redução da inflação, que melhora a vida das pessoas, de compra de votos?”
A entrevista foi realizada em 2016, quando o então presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, acusou de utilizar o Bolsa Família para “levar à eternização no poder.”