A reportagem do jornal A Cidade teve acesso ao material e conversou com representantes de dois sindicatos do município
A circulação da lista ocorre após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo Foto: ACV
Daniel Marques
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Uma lista com nomes de empresas e profissionais de Votuporanga passou a circular nas redes sociais e em aplicativos de mensagens com o objetivo de incentivar o boicote a estabelecimentos cujos proprietários, supostamente, votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. A reportagem do jornal A Cidade teve acesso ao material denominado de “Lista de comerciantes e profissionais que fizeram o ‘L’ em Votuporanga-SP”.
A circulação da lista ocorre após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo, quando Lula venceu Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República.
Entre as manifestações relacionadas à divulgação do material, a empresária Suely, proprietária da loja Suely Center, publicou ontem um vídeo nas redes sociais para reclamar da inclusão do nome de sua empresa na lista. Ela afirmou que a situação já havia ocorrido há quatro anos e manifestou repúdio à iniciativa. “Estou aqui de novo, como há quatro anos, para falar da minha indignação e o repúdio sobre essa lista que está circulando em Votuporanga de novo. Eu não gosto de ver o nome da minha empresa, da qual a gente cuida com o maior carinho e maior respeito, em listinhas de quem não tem o que fazer, em listinhas de pessoas desocupadas”, declarou.
Na avaliação da empresária, pessoas que elaboram e compartilham esse tipo de lista deveriam dedicar o tempo ao trabalho, em vez de acompanhar e comentar as escolhas pessoais de outras pessoas. Suely também afirmou que a empresa não se envolve em política e defendeu o direito de cada cidadão escolher seus representantes. “Nós somos uma empresa séria, a gente não se envolve em política e eu repudio essa lista infeliz, feita por pessoas desocupadas. Deixando muito claro que cada um tem o direito de escolha. Nós vivemos num país democrático. O que cada pessoa deveria fazer é colocar o joelhinho no chão e pedir a Deus a proteção para o nosso país maravilhoso, chamado Brasil. Se cada um fizesse isso, respeitando a escolha de cada um, quer seja de um lado, quer seja do outro, tudo seria melhor. Para essas pessoas que estão fazendo essa lista, que soltam essa lista porque não têm o que fazer, o meu repúdio total”, afirmou.
A lista reúne 27 empresas e associa seus proprietários a uma suposta preferência eleitoral. A divulgação do material busca estimular consumidores a deixar de comprar nesses estabelecimentos em razão dessa atribuição política.
Sindicatos
O jornal
A Cidade ouviu representantes de dois sindicatos de Votuporanga sobre o assunto. Lia Marques, presidente do Sincomerciários (Sindicato dos Empregados no Comércio de Votuporanga), afirmou ser um absurdo uma ação como essa. “Hoje, no mundo que nós vivemos, ter pessoas que fazem essa coisa horrível. Meu Deus! Respeito e empatia estão faltando para esse povo. Falta o que fazer também. Vai trabalhar, deixa a pessoa trabalhar! Você tem que respeitar a opinião dos outros. Fiquei indignada e muito triste de saber que em Votuporanga nós temos pessoas tão pequenas”, declarou.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Votuporanga (Sincomércio), João Herrera, também se pronunciou sobre o assunto. Ele tem a mesma opinião de Lia. “Acho isso uma cafonice. Cada um administra sua vida como ele quer, como acha que deve administrar. Acho até uma falta de caráter também. Empresa privada, ninguém tem nada a ver com isso. Eu não tenho nada a ver com isso, você não tem nada a ver com isso. O Sincomércio se manifesta assim, é um absurdo”, afirmou.