Delegada da DDM, dra. Edina de Oliveira Freitas, destaca que a violência contra a mulher vai muito além da agressão física
Dra. Edina de Oliveira Freitas, delegada da Delegacia da Mulher de Votuporanga Foto: Divulgação
Durante o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher, a delegada da Delegacia de Defesa da Mulher, Dra. Edina de Oliveira Freitas, chama a atenção para comportamentos que muitas vezes começam de forma sutil, mas podem evoluir para situações graves de violência.
Segundo a delegada, controle excessivo, ciúmes, isolamento, humilhações e chantagens emocionais estão entre os primeiros sinais de um relacionamento abusivo. “Frequentemente, o agressor busca exercer controle sobre a vida da parceira, restringindo sua autonomia, questionando suas decisões e promovendo situações de isolamento em relação a familiares e amigos”, explica.
Para Edina, é fundamental entender que uma relação saudável deve ser baseada em respeito, confiança e liberdade individual. Por isso, atitudes como controlar o celular, as roupas, as amizades, as redes sociais e a rotina da mulher não devem ser confundidas com demonstrações de amor ou preocupação.
Violência não é apenas física
A delegada destaca que a Lei Maria da Penha reconhece diferentes formas de violência contra a mulher, entre elas a psicológica, moral, sexual e patrimonial.
A violência psicológica pode envolver ameaças, manipulação, humilhações e tentativas de controlar a vítima. A violência moral está relacionada a ofensas contra a honra e a reputação. Já a violência patrimonial ocorre quando o agressor retém, destrói ou controla bens, documentos ou recursos financeiros da mulher. A violência sexual, por sua vez, envolve qualquer ato praticado sem consentimento.
Edina também chama atenção para a violência vicária, quando o agressor utiliza os filhos ou outras pessoas próximas como instrumento para atingir emocionalmente a mulher. Isso pode ocorrer por meio de ameaças, manipulação, tentativa de afastamento dos filhos ou até violência contra as crianças com o objetivo de provocar sofrimento à mãe.
Consequências podem durar por muito tempo
A violência psicológica e emocional pode deixar marcas profundas, mesmo quando não existem sinais visíveis no corpo. Entre as possíveis consequências estão a perda da autoestima, ansiedade, depressão, medo constante e dificuldade para romper o ciclo de violência.
Por isso, a delegada reforça a importância de procurar ajuda. A vítima não deve esperar que a situação chegue à agressão física para buscar proteção.
“A culpa jamais é da vítima”
Neste Agosto Lilás, a mensagem deixada pela delegada é de acolhimento e esperança. “Nenhuma mulher merece viver sob violência, medo, humilhação ou qualquer forma de opressão”, afirma.
Edina reforça ainda que a culpa nunca é da vítima e que o silêncio pode fortalecer o agressor. “A busca por ajuda permite o acesso à rede de proteção e aos mecanismos legais disponíveis para interromper o ciclo da violência.”
A delegada destaca que a Delegacia de Defesa da Mulher e toda a rede de proteção estão preparadas para acolher, orientar e garantir os direitos das vítimas. Procurar ajuda, segundo ela, é um ato de coragem, proteção e valorização da própria vida.
No Agosto Lilás, o principal alerta é também um chamado: reconhecer a violência, falar sobre ela e buscar ajuda podem ser os primeiros passos para mudar uma história.