Grazi Cavenaghi é especialista em Liderança Integral - grazicavenaghi@inspireacao.com (Foto: Arquivo pessoal)
Peço que você pare, respire e traga a sua intenção para este momento. A intenção traz a atenção, e tudo aquilo a que damos atenção na nossa vida se constrói e se expande.
Estamos estruturando os quatro pilares da Governança Humana. Começamos no SER, no olhar para dentro. Passamos pelo FAZER, compreendendo que o bem-estar pessoal é global. Agora falaremos do DECIDIR: o poder da decisão no seu Lugar de Potência.
Quero convidar você a olhar para algumas decisões da sua vida. Pense naquelas cujo resultado foi diferente do que esperava. Volte à situação e observe algo além do resultado: qual era a sua postura naquele momento? De que lugar você estava decidindo?
Agora faça o movimento contrário. Traga à memória decisões acertadas, que produziram bons resultados e contribuíram para a sua evolução. Observe novamente a sua postura. Talvez exista algo importante nessa comparação.
As nossas decisões carregam o lugar de onde são tomadas. Podemos ter informações, experiência, bons conselheiros e uma estratégia consistente. Ainda assim, a forma como nos posicionamos diante de nós mesmos e do outro interfere na qualidade das nossas escolhas.
E, como sempre digo, aqui não existem respostas prontas. Tudo deve ser validado no seu maior laboratório: a sua vida e a sua empresa.
Mas, afinal, o que é o Lugar de Potência?
É o lugar em que você ocupa verdadeiramente o seu papel, sem se colocar acima nem abaixo do outro. Você reconhece o seu valor e o valor do outro. Assume o que lhe pertence e permite que o outro assuma o que pertence a ele.
É aqui que entra uma palavra fundamental: autonomia.
Quantas vezes você já pensou: meu funcionário não faz nada sozinho, tudo depende de mim? Então faça uma pergunta diferente: quanto espaço você oferece para que ele faça?
O mesmo acontece nas famílias. Eu faço tudo, ninguém me ajuda, sou eu quem resolve os problemas. Observe: você está permitindo que as pessoas ocupem o lugar delas ou está ocupando também o lugar que pertence a elas?
Aqui existe uma diferença fundamental entre controle e responsabilidade. Assumir responsabilidade é ocupar o seu lugar. Controlar é ocupar também o lugar do outro.
Talvez por isso tantas empresas tenham fundadores sobrecarregados e equipes pouco autônomas. Quanto mais o dono ocupa todos os lugares, menos espaço resta para que os outros ocupem os seus.
Isso também acontece nas nossas relações. Qual é o seu lugar na família? Na relação com os seus filhos? Na empresa? Quando cada pessoa ocupa o próprio lugar, as relações ganham clareza. Quando os lugares se confundem, as decisões também se confundem.
Pense agora em uma negociação com um cliente de grande potencial. Você olha para aquele contrato e pensa: se esse cliente fechar conosco, vai salvar a empresa.
Pare e observe.
No instante em que você coloca no cliente a responsabilidade de salvar o seu negócio, sai do seu Lugar de Potência. Coloca o outro acima de você e transforma uma troca de valor em uma relação de dependência.
Agora imagine o contrário. Chega uma empresa pequena, começando, e surge o pensamento: coitado, vou ajudá-lo, ele depende de mim. Mais uma vez você saiu do seu lugar, agora se colocando acima, como salvador.
Em uma situação você se diminui. Na outra se engrandece. Em nenhuma delas existe equilíbrio.
O Lugar de Potência está no encontro entre duas partes que reconhecem o próprio valor e constroem uma troca justa. Eu tenho algo a oferecer. Você tem algo a oferecer. Essa decisão faz bem para mim, para o outro e para o mundo? Se estiver alinhada com quem você é, decida e vá.
Esse é o terceiro pilar da Governança Humana. Existe um ativo invisível em cada decisão que nenhum balanço registra: a postura de quem decide. O empresário analisa números, cenários, riscos e oportunidades, mas existe uma análise que nenhuma planilha faz por ele: perceber de que lugar está fazendo aquela escolha.
Quando você decide apenas para agradar, entrega ao outro parte do poder da sua decisão. Quando decide para salvar, ocupa o lugar do outro. Quando decide esperando ser salvo, abandona o seu próprio lugar. Quando decide consciente de quem é, a decisão ganha outra qualidade.
O livro mais lido do mundo apresenta esse mesmo princípio. Em Mateus, capítulo 5, versículo 37, está escrito: “Seja, porém, a tua palavra: sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.”
Decidir do Lugar de Potência é isso: um sim que é sim de verdade e um não que é não de verdade. Sem o interesse que distorce a troca, sem a pena que ocupa o lugar do outro, sem a expectativa de ser salvo.
Por isso, ligue o seu botão da percepção. Antes da próxima decisão importante, pergunte: qual lugar estou ocupando? Estou acima, abaixo ou no meu Lugar de Potência? Estou respeitando a autonomia do outro? Esta escolha faz bem para mim, para o outro e para o mundo?
E lembre-se: sonhar, planejar e soltar. Faça a sua parte com consciência e permita que a vida também faça o seu movimento. Decidir não significa controlar o resultado. Decidir é assumir o seu lugar diante daquilo que lhe cabe.
E como nosso foco é progredir, vamos juntos?
Escolha uma decisão que esteja hoje sobre a sua mesa. Antes de decidir o que fazer, observe de onde você está decidindo. Reconheça o seu lugar e o lugar do outro. Assuma o que é seu e devolva ao outro aquilo que pertence a ele.
Então, decida e vá.
Seguimos juntos, usando a Inteligência do Amor como guia para cada uma das nossas decisões, porque queremos um eu melhor, as pessoas à nossa volta melhores, um mundo melhor.
Vamos juntos?
Porque juntos somos +
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