Caso de crueldade no bairro São Lucas, em Votuporanga, mobiliza pedidos de esclarecimento às autoridades
Cadelinha July foi encontrada com sinais de tortura; Polícia Civil segue investigando o caso. Foto: Divulgação
Daniel Marques
daniel@acidadevotuporanga.com.br
A população de Votuporanga tem cobrado posicionamentos das autoridades em relação ao caso da cadelinha July, morta no bairro São Lucas, no dia 15 de janeiro, com sinais de tortura, e os pedidos por informações oficiais sobre o andamento das investigações também são impulsionados pela repercussão nacional do caso do cão Orelha, morto no litoral de Santa Catarina, o que ampliou o debate público sobre crimes de maus-tratos contra animais e a necessidade de respostas rápidas e transparentes do poder público.
Em Votuporanga, o crime foi descoberto na manhã de 15 de janeiro, quando o secretário municipal do Bem-Estar Animal, Chandelly Protetor, foi chamado para comparecer ao bairro São Lucas, próximo ao São Cosme, para averiguar uma denúncia de maus-tratos com requinte de crueldade contra uma cachorra que pertencia a Ireno Miranda Santos. Ao chegar ao local, o tutor, revoltado e pedindo justiça, indicou onde o corpo da cachorrinha estava. O animal já se encontrava sem vida e, segundo o secretário, a cena apresentava sinais de extrema violência.
No local, Chandelly constatou mutilação, com uma das patas do animal decepada, sinais de tortura, já que a cadela apresentava indícios de escalpelamento na cabeça, e crueldade, pois todas as glândulas mamárias haviam sido arrancadas. Diante da situação, o secretário compareceu ao Plantão da Polícia Seccional de Votuporanga, localizado na rua Tocantins, em frente à Praça São Bento, onde registrou um Boletim de Ocorrência para que o caso fosse investigado e o autor do crime identificado.
A reportagem do jornal
A Cidade apurou junto à Polícia Civil de Votuporanga que os policiais realizaram diversas diligências no local do crime e em suas imediações. Segundo informações obtidas, as investigações seguem em andamento, porém a Polícia Civil informou que não pode divulgar mais detalhes neste momento para não prejudicar o trabalho investigativo.
Conforme Ireno, a cachorrinha July era dócil e não ficava presa no quintal da residência, circulando por várias ruas do bairro. O A Cidade conversou com o tutor, que manifestou sua expectativa em relação ao caso. “Eu espero que a Justiça faça algo, porque foi muito feio que fizeram com ela”, comentou.
Manifestações
No último fim de semana, foram registradas manifestações em diversas cidades do Brasil pedindo justiça e punição aos adolescentes que torturaram o cão Orelha, na Praia Brava, no litoral de Santa Catarina, em um caso que causou grande comoção nacional. No Estado de São Paulo, a principal manifestação ocorreu no domingo (1º), na Avenida Paulista, onde ativistas da causa animal e cidadãos se reuniram para cobrar providências das autoridades e o rigor da lei diante da violência cometida. O caso do cão Orelha ganhou repercussão em todo o Brasil e também fora do país, tornando-se símbolo da luta contra maus-tratos a animais, após vir à tona a brutalidade sofrida pelo animal, que vivia sob os cuidados de uma comunidade local. Orelha foi torturado no dia 4 de janeiro e, devido à gravidade dos ferimentos causados pela violência, ficou extremamente debilitado, não resistindo e morrendo um dia depois, após ser sacrificado por meio de eutanásia, decisão tomada para evitar ainda mais sofrimento diante do quadro irreversível de saúde.