Moradores relatam medo, insegurança e degradação em área próxima ao Córrego Boa Vista; população evita denunciar por receio de represálias
A reportagem do jornal A Cidade esteve no local na manhã de ontem para verificar a situação Foto: A Cidade
Daniel Marques
daniel@acidadevotuporanga.com.br
Usuários de drogas estão fazendo bagunça, deixando lixo acumulado e causando diversos transtornos na zona Sul de Votuporanga, mais especificamente no bairro Estação. A situação tem incomodado muitos moradores, que relatam problemas constantes relacionados à presença dessas pessoas em diferentes pontos da região do córrego Boa Vista. Além da sujeira e da desordem, a população afirma conviver diariamente com o medo e a insegurança.
O problema ocorre principalmente na região onde está localizado o córrego. Segundo relatos dos moradores, a situação é registrada em alguns pontos de vias como a rua José Abdo, rua Cavenaghi, entre outras, onde usuários de drogas costumam permanecer por longos períodos. De acordo com a população, essas pessoas utilizam entorpecentes nos locais, descartam lixo de maneira irregular e promovem badernas que afetam a tranquilidade dos moradores.
Diante das denúncias, a reportagem do jornal
A Cidade esteve nos locais apontados para verificar a situação e constatou a presença de grande quantidade de lixo espalhado em diversos pontos da região. Entre os resíduos encontrados estavam garrafas de bebidas alcoólicas, latinhas, embalagens de alimentos, restos de marmitas, colchões e outros objetos descartados irregularmente.
A maioria das pessoas ouvidas pela reportagem preferiu não se identificar. Segundo elas, existe receio de denunciar a situação às autoridades por medo de sofrer represálias por parte dos usuários de drogas que frequentam o local.
Uma das poucas moradoras que aceitou falar e se identificar foi Dinalva Ribeiro, de 60 anos. Segundo ela, o problema é grave e, até o momento, nenhuma solução efetiva foi adotada. “Eu tenho medo, porque aqui não é um lugar tão seguro. E você vê que não são daqui porque cada vez são pessoas diferentes que ficam circulando. Eu já fui parar na UPA por causa do cheiro forte da droga. Realmente está difícil”, afirmou.
Ainda de acordo com os moradores, a situação no bairro tornou-se insustentável. Além da insegurança, eles demonstram preocupação com a possibilidade de proliferação da dengue, uma vez que o lixo descartado irregularmente pode acumular água e servir de criadouro para o mosquito transmissor da doença.
Os relatos colhidos pela reportagem são considerados preocupantes pelos moradores. Segundo eles, os usuários de drogas praticamente se apropriaram de alguns espaços da região. Há muita sujeira, colchões abandonados, garrafas, restos de marmitas e diversos tipos de resíduos espalhados pelo local.
Moradores afirmam que o cenário tem afastado a população que anteriormente utilizava a área para caminhadas e atividades físicas. Segundo eles, o cheiro é forte e desagradável, resultado do acúmulo de lixo e também do fato de que algumas pessoas utilizam os locais para fazer necessidades fisiológicas.
Em um dos pontos visitados pela reportagem, foi encontrado um vaso sanitário abandonado. Segundo moradores, o objeto estaria sendo utilizado por usuários de drogas como assento enquanto permanecem no local. “Dá medo, mas infelizmente é o que está acontecendo”, disse Dinalva.
A moradora relatou ainda que já chegou a doar roupas e calçados para algumas pessoas que pediam ajuda na região. No entanto, posteriormente ficou sabendo que os itens teriam sido vendidos para obtenção de dinheiro destinado à compra de drogas.
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A Cidade também esteve na Paróquia São Benedito e Nossa Senhora de Fátima, onde pessoas relataram problemas semelhantes envolvendo usuários de drogas nas proximidades da igreja. Segundo os relatos, essas pessoas costumam permanecer na frente do templo religioso, causando transtornos aos frequentadores, dormindo no local e deixando lixo espalhado.
Ainda conforme os relatos, houve um episódio em que uma mulher usuária de drogas urinou na frente da igreja, localizada na Rua Nelcíades Oliveira. A situação gera preocupação entre os fiéis e reforça a sensação de insegurança apontada por moradores e frequentadores da região.
Enquanto aguardam providências, moradores do bairro Estação afirmam esperar por medidas que possam devolver a tranquilidade, a limpeza e a sensação de segurança aos espaços públicos da região do córrego Boa Vista.