Levantamento da reportagem identificou unidades da rede estadual sem climatização nas salas de aula; mães relatam preocupação com o calor intenso e estudantes que passaram mal nos últimos dias.
A Escola Estadual Doutor José Manoel Lobo é uma das unidades de ensino que não têm ar-condicionado nas salas de aula Foto: A Cidade
Daniel Marques
daniel@acidadevotuporanga.com.br
Estudantes de cinco das 10 escolas da rede estadual de ensino localizadas em Votuporanga estão enfrentando as altas temperaturas dentro das salas de aula sem ar-condicionado. O problema tem gerado preocupação entre familiares, principalmente diante dos episódios de mal-estar relatados durante os últimos dias de forte calor registrados na cidade.
Um levantamento realizado pela reportagem do jornal
A Cidade identificou que as escolas estaduais Doutor José Manoel Lobo, Park Residencial Colinas, Professora Uzenir Coelho Zeitune, Sebastião Almeida de Oliveira e Professora Enny Tereza Longo Fracaro não contam com ar-condicionado nas salas de aula.
Ao todo, Votuporanga possui 10 escolas estaduais: EE Professor Cícero Barbosa Lima Júnior, EE Professora Enny Tereza Longo Fracaro, EE Professora Esmeralda Sanches da Rocha, EE Doutor José Manoel Lobo, EE Professora Juraci Lima Lupo, EE Professora Maria Nívea Costa Pinto Freitas, EE Park Residencial Colinas, EE Professora Sarah Arnoldi Barbosa, EE Sebastião Almeida de Oliveira e EE Professora Uzenir Coelho Zeitune.
A falta de climatização nas salas de aula é motivo de reclamação de familiares de estudantes, que relatam dificuldades para enfrentar as temperaturas elevadas durante o período escolar. Entre as preocupações estão o desconforto provocado pelo calor e os casos de alunos que teriam passado mal nos últimos dias.
Votuporanga está localizada na região Noroeste do Estado de São Paulo, área conhecida pelas altas temperaturas. O calor costuma se intensificar a partir de setembro e permanecer como característica do clima regional até abril ou maio, período em que estudantes e trabalhadores ficam expostos a temperaturas elevadas.
O A Cidade conversou com Erika Silva, mãe de uma aluna da Escola Estadual Doutor José Manoel Lobo, que manifestou indignação com as condições enfrentadas pelos estudantes. Segundo ela, além da ausência de ar-condicionado, há problemas relacionados à ventilação e à temperatura da água disponibilizada aos alunos. “Fica minha indignação, isso é desumano o que está acontecendo com a escola Manoel Lobo, nesse calor de 1.000 graus, e a escola sem ar, sem ventilador e ainda água quente para os alunos beberem. Cadê as autoridades de Votuporanga que não anda servindo pra nada? Alunos passando mal. Se ninguém tomar providências, minha filha vai ficar em casa que é melhor porque até meus cachorros nesse calor, eu coloco água gelada; agora estudar o dia todo e ainda passando mal...”.
O relato da mãe evidencia a preocupação de familiares com as condições oferecidas aos estudantes durante os períodos de calor intenso. A ausência de equipamentos de climatização nas cinco unidades identificadas pelo levantamento levanta questionamentos sobre as medidas adotadas para proporcionar conforto térmico aos alunos durante as atividades escolares.
Saúde
Para saber sobre como o calor afeta na saúde dos alunos dentro das salas de aula, o A Cidade conversou com o doutor Ernesto Hoffmann, Médico de Família e Comunidade da Santa Casa de Votuporanga. “Em um local quente e mal ventilado, o corpo sofre estresse térmico mesmo com a pessoa sentada e parada. O risco aumenta com umidade alta, roupas pesadas e longa permanência no ambiente. Podem ocorrer desidratação, tontura, dor de cabeça, náusea, câimbras, fraqueza, palpitações e desmaio. Jejum, pouca hidratação, privação de sono, ansiedade e alguns medicamentos aumentam a vulnerabilidade”, esclareceu.
Estudar em um ambiente assim, segundo Ernesto, atrapalha na concentração do estudante. “O corpo gasta energia para dissipar calor, e o desconforto disputa a atenção com a tarefa. A elevação da temperatura corporal e a desidratação, mesmo leve, prejudicam atenção, memória e raciocínio. O sangue é desviado para a pele, o que pode causar sonolência e tontura”, explicou.
Resposta do Estado
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A Cidade fez alguns questionamentos à Secretaria Estadual de Educação, inclusive se há previsão para climatização das cinco escolas, e a pasta emitiu uma nota: “o município de Votuporanga conta com 10 unidades de ensino e, atualmente, 5 escolas já foram climatizadas, com investimento de cerca de R$ 1,5 milhão. Na região de São José do Rio Preto, 60 escolas foram beneficiadas, totalizando investimento de R$ 32,5 milhões. As cidades contempladas são Catanduva, Fernandópolis, Jales, José Bonifácio, Mirassol, Novo Horizonte, Olímpia, São José do Rio Preto e Votuporanga. A Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), responsável pelas obras da Seduc-SP, iniciou em maio a segunda fase do programa de climatização, com aporte adicional de R$ 170 milhões. Os recursos destinados ao conforto térmico, por meio da instalação de equipamentos de ar-condicionado nas unidades escolares, somarão, com as duas etapas, R$ 570 milhões. A execução do projeto se dá em três etapas: a adaptação da infraestrutura elétrica das escolas, a instalação dos aparelhos de climatização e a ligação da energia elétrica. A climatização das escolas tem se concentrado principalmente nas regiões mais quentes do estado, visando beneficiar as unidades localizadas em áreas com maior demanda de refrigeração”.