Entenda como foi a ação da polícia, quem são as vítimas e o sequestrador e como aconteceu o crime que parou a cidade por uma manhã inteira
H.T.L.S foi preso e responderá por cárcere privado, violência psicológica, ameaça e descumprimento de medida protetiva de urgência
Da redação
O sequestro de uma mulher de 28 anos, identificada como N., e do seu filho de apenas oito meses de idade pelas mãos do seu ex-companheiro e pai do menino, identificado como Higor, também de 28, marcou a manhã desta sexta-feira (16) na zona Norte de Votuporanga. O caso movimentou equipes policiais da cidade, de São José do Rio Preto e da capital.
De acordo com o informado por Claudecir Lino Pereira, que é pai da vítima, o sequestrador estava esperando por ela em uma mata próxima ao apartamento onde a mulher morava, na rua Chico Xavier, próximo à avenida Emílio Arroyo Hernandes. Quando ela chegou ao local, por volta das 5h da manhã, acompanhada do bebê, ele abordou os dois e levou-os para o interior do apartamento da vítima.
A movimentação chamou a atenção de um vizinho do prédio, que encontrou os três antes de entrarem no apartamento e confrontou Higor, pedindo para que ele “deixasse disso”. Foi então que o sequestrador afirmou que iria “furar” a mulher e o filho caso o vizinho chamasse a polícia. Uma parente da vítima foi a responsável por fazer a ligação e pedir ajuda das autoridades.
Por volta das 9h20 da manhã, o Baep (Batalhão de Ações Especiais) de Rio Preto já estava no local para tomar o controle da situação, assim como um caminhão do Corpo de Bombeiros, com um segundo chegando depois, e uma ambulância do Samu. Segundo o informado pela polícia, Higor ameaçava colocar fogo no local.
Durante o resto da manhã, foram chegando mais e mais equipes especializadas da Polícia Militar, com o Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) vindo diretamente de São Paulo, de helicóptero, assim como três equipes da tropa de choque, que são especialistas em situações como essa, e uma unidade canina.
Todo momento era coberto de tensão, com os policiais realizando movimentações constantes no local. Foram necessários cinco negociadores na ação para tentar negociar com Higor No total, foram aproximadamente 40 pessoas que realizaram a operação.
O alívio somente foi acontecer por volta das 12h30, quando foi confirmada a informação de que o sequestrador havia liberado N002E e o filho. Os pais dela, que estavam presentes no local, puderam ser vistos abraçando familiares e chorando de alegria. Ambos receberam atendimento primário na ambulância do Samu presente no local e, em seguida, foram encaminhados para a Santa Casa de Votuporanga para receberem os devidos cuidados. Pouco após isso, Higor se rendeu, foi preso e levado para a Central de Flagrantes de Votuporanga.
Capitão da PM e tenente do Gate
Após o ocorrido, o capitão da Polícia Militar em Votuporanga, André Navarreti, e o tenente Cavenagui, do Gate, deram uma entrevista coletiva onde detalharam toda a operação. O capitão deu detalhes do começo da ocorrência, informando que a ligação para o 190 foi feita por volta das 6h da manhã e a viatura que chegou ao local constatou que HIGOR estava com um facão e ameaçava matar a mulher e o bebê.
Navarreti também destacou uma parte do processo de negociação com o sequestrador, explicando que ele “apresentava sinais de oscilação de humor. Tinha momentos em que ele era colaborativo, dava sinais de que a ocorrência ia progredir de forma muito positiva, porém ele regredia e ficava violento novamente e colocava a faca na barriga, no pescoço da mulher.”
Outro ponto esclarecido foi a atuação da mãe de Higor para conseguir a liberação dos reféns. Segundo o tenente Cavenagui, “a gente fez um acordo com ele. Se a mãe dele aparecesse, ele se rendia e entregava o bebê. Ele abaixaria a faca e sairia junto com a refém. Então, nesse momento ele fez o que a gente tinha combinado. Ele cumpriu o acordo, entregou o bebê para os nossos policiais, abaixou a faca e saiu junto com a vítima.”
‘Vai liberar de novo?’
Claudecir é aposentado, pai de N. e estava presente no local desde o começo da ocorrência. Ele explicou a situação, além de acompanhar toda a operação até o desfecho.
Em entrevista após o ocorrido, Claudecir estava indignado com toda a relação entre Higor e sua filha. Segundo ele, o sequestrador “a fechava dentro de casa, batia nela, não a deixava sair nem para ficar debaixo da árvore aqui em frente ao prédio, ela queria ficar debaixo da árvore aqui com o nenê, ele não a deixava vir. Era cárcere privado.”
Ele também falou que Higor tinha aproximadamente 10 boletins de ocorrência feitos apenas por ele, além de medida protetiva. “Foi preso, o juiz liberava, fazia boletim de ocorrência, o juiz liberava, o juiz liberou tudo isso aí, agora o que o juiz vai fazer? Vai liberar de novo?”, questiona o pai indignado.
Abuso sexual infantil
Segundo Claudecir, o Higor teria cometido abuso sexual com seu próprio filho de 8 meses. “Ele mexeu com a criança, minha filha viu e deu parte dele. Ele estava fazendo uma coisa obscena com a criança de oito meses.”
O capitão Navarreti confirmou a informação em sua coletiva. "É importante destacar que o indivíduo possui passagens por estupro, lesão corporal e ameaça. Inclusive, a ocorrência de estupro é referente à própria criança do qual ele foi preso por mandado de prisão, foi colocado em liberdade. Ele foi preso por violência doméstica dia 9 deste mês, a mãe possui medida protetiva. Ele foi encaminhado ao presídio, porém foi colocado em liberdade novamente, e ele retornou aqui ao local e promoveu toda essa ocorrência que vocês acompanharam”, contou.
Cárcere privado e mais três crimes
Em entrevista coletiva realizada na tarde desta sexta, na Central de Flagrantes de Votuporanga, foram confirmados por quais crimes o sequestrador de Votuporanga irá responder. De acordo com o delegado plantonista Rogério Montoro, o acusado responderá por cárcere privado, violência psicológica, ameaça e descumprimento de medida protetiva de urgência.