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Saúde
Joanete precisa de cirurgia? O que define a decisão e o que mudou nos últimos anos
Deformidade no pé afeta cerca de 23% dos adultos e atinge proporções ainda maiores entre mulheres e idosos; avanço das técnicas cirúrgicas ampliou as opções para quem convive com dor e limitações
Maria Lúcia dos Santos, 58 anos, moradora de Votuporanga, passou mais de uma década trocando de sapato, comprando protetores de silicone e evitando caminhadas longas. O joanete no pé direito crescia devagar, mas a dor já impedia que ela acompanhasse as netas no parque da cidade. "Achava que era coisa da idade, que não tinha o que fazer", contou. Quando finalmente procurou um ortopedista, descobriu que o grau de deformidade já era moderado e que o tratamento conservador, sozinho, não seria capaz de corrigir o desalinhamento. A história de Maria Lúcia se repete em consultórios do noroeste paulista e do Brasil inteiro. Dados da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé indicam que cerca de 30% da população brasileira apresenta algum grau de joanete. Estudos internacionais confirmam que a prevalência gira em torno de 23% entre adultos de 18 a 65 anos e ultrapassa 35% entre pessoas acima de 65 anos. No Brasil, a condição responde por mais de 2 milhões de novos casos ao ano. A dúvida que Maria Lúcia carregou por anos é a mesma que leva milhares de brasileiros a adiar a busca por tratamento: joanete precisa de cirurgia? A resposta, segundo a literatura médica, depende de uma combinação de fatores que vai muito além do tamanho da protuberância.
O que é o joanete e por que ele não para de crescer O joanete, chamado na medicina de hálux valgo, não é um osso novo que surge no pé. Trata-se de um desalinhamento progressivo entre o primeiro metatarso e a falange do dedão. O metatarso se desvia para dentro, o dedão se inclina para fora, na direção dos outros dedos, e a articulação da base fica exposta, formando a protuberância que causa atrito com o calçado e dor ao caminhar. A deformidade tem forte componente genético. Estudos mostram que cerca de 60% dos pacientes com joanete têm histórico familiar da condição. O Framingham Foot Study, conduzido nos Estados Unidos com mais de 1.370 adultos, reforçou essa relação ao identificar padrões hereditários claros na formação do hálux valgo. Como pontua o Dr. Bruno Air, profissional da ortopedia com foco em pé e que atende na cidade de Goiânia, mulheres são desproporcionalmente afetadas. A proporção chega a nove mulheres para cada homem diagnosticado. O uso prolongado de calçados de bico fino e salto alto contribui para a progressão do problema, mas não é a causa isolada. Fatores como pé plano, frouxidão ligamentar e desequilíbrio entre os músculos do pé também pesam na equação. O problema é que o joanete não regride. Sem intervenção, a tendência é de piora lenta e contínua. O dedão pressiona os dedos vizinhos, que podem desenvolver deformidades secundárias, como os dedos em garra. A distribuição de peso no pé fica comprometida e a pessoa muda o jeito de pisar, o que pode gerar dores em outras articulações.
Quando o tratamento sem cirurgia funciona (e quando para de funcionar) Nos estágios iniciais, o tratamento conservador tem papel importante. Palmilhas ortopédicas, uso de calçados mais largos, exercícios para fortalecer a musculatura do pé, protetores de silicone e anti-inflamatórios ajudam a controlar a dor e podem retardar a progressão da deformidade. O que esses recursos não fazem é corrigir o desalinhamento ósseo. Corretores noturnos e espaçadores de silicone aliviam o desconforto temporariamente, mas não reposicionam o metatarso. A literatura ortopédica é clara nesse ponto: o tratamento conservador é mais eficaz em casos leves e quando iniciado cedo. O problema aparece quando a deformidade avança. A dor se torna frequente, o paciente não consegue calçar sapatos com conforto, a mobilidade fica limitada e a qualidade de vida cai. Nesses casos, a cirurgia passa a ser considerada. A indicação cirúrgica, porém, não depende apenas do tamanho do joanete. O ortopedista avalia o ângulo de desvio do hálux por meio de radiografias com carga, o grau de comprometimento da articulação, a presença de deformidades associadas nos outros dedos e, principalmente, o impacto da condição na rotina do paciente. Joanete que dói e limita é diferente de joanete que incomoda apenas pela aparência. A decisão é clínica, não estética.
O avanço que reduziu o medo da cirurgia Durante décadas, a cirurgia de joanete foi sinônimo de corte grande, recuperação demorada e dor intensa no pós-operatório. A técnica aberta tradicional exige incisões de vários centímetros, exposição direta da articulação e, em muitos casos, semanas sem apoiar o pé no chão. Esse cenário fez com que muitos pacientes adiassem a operação até o limite. A mudança veio com as técnicas percutâneas e minimamente invasivas, que ganharam força no Brasil na última década. A cirurgia de joanete percutânea utiliza incisões de poucos milímetros, por onde fresas especiais e parafusos de fixação são inseridos para reposicionar o osso sem a necessidade de abrir toda a articulação. A técnica MICA (Minimally Invasive Chevron Akin), uma das variações mais utilizadas atualmente, permite a correção de deformidades de diferentes graus com resultados comparáveis ou superiores aos da cirurgia aberta. Publicações em revistas como o Foot and Ankle Surgery registraram redução média de 42% no tempo cirúrgico em procedimentos minimamente invasivos, além de menor dor no pós-operatório, cicatrizes quase imperceptíveis e possibilidade de o paciente pisar com auxílio de sandália especial no mesmo dia da cirurgia. O pós-operatório também mudou. Na técnica percutânea, a alta costuma acontecer no mesmo dia do procedimento. O paciente utiliza uma sandália ortopédica por quatro a seis semanas e, na maioria dos casos, retoma atividades leves em poucos dias. A taxa de satisfação relatada em estudos recentes chega a 94%, com índice de reoperação em torno de 5%. Essa evolução fez diferença prática. Pacientes que antes conviviam com a dor por receio da cirurgia passaram a procurar avaliação mais cedo, o que melhora o prognóstico. Quanto menor a deformidade no momento da intervenção, mais simples tende a ser a correção e mais rápida a recuperação.
A importância de procurar quem entende do problema Existem mais de 200 técnicas descritas na literatura para a correção do hálux valgo. A escolha do método depende do grau da deformidade, da estrutura óssea do paciente, da presença de deformidades nos dedos vizinhos e de fatores individuais como idade e nível de atividade física. Essa complexidade exige do cirurgião formação específica em pé e tornozelo e volume de prática consistente. A cirurgia percutânea, em particular, demanda uma curva de aprendizado longa. O procedimento é guiado por fluoroscopia (raio-X em tempo real), e o cirurgião trabalha sem visualização direta da articulação. A precisão dos cortes ósseos depende de treinamento e experiência. Por isso, o número de profissionais habilitados ainda é restrito, tanto no Brasil quanto no exterior. Para o paciente do noroeste paulista, que muitas vezes precisa se deslocar para centros maiores em busca de atendimento especializado, a escolha do profissional é uma etapa que merece atenção. Antes de agendar a consulta, vale verificar se o ortopedista tem especialização registrada em pé e tornozelo, se atua com as técnicas mais recentes e qual o volume cirúrgico do profissional nesse tipo de procedimento. Goiânia, por exemplo, consolidou nos últimos anos um polo de referência em ortopedia do pé e tornozelo, com profissionais que acumulam formação em centros internacionais. Consultar um médico especialista em pé com experiência em cirurgia minimamente invasiva é uma das formas de garantir que a avaliação será feita de maneira criteriosa e que todas as opções de tratamento serão consideradas antes de qualquer decisão.
O que o paciente precisa saber antes de decidir A cirurgia de joanete não é urgência. A decisão pode e deve ser tomada com calma, depois de uma avaliação completa. Alguns pontos ajudam a organizar a reflexão. O primeiro é entender que nem todo joanete precisa de cirurgia. Deformidades leves, sem dor significativa e sem prejuízo funcional, podem ser acompanhadas com tratamento conservador e reavaliações periódicas. O segundo ponto é não esperar que a deformidade se torne grave para procurar ajuda. O joanete tratado cedo responde melhor, tanto ao tratamento conservador quanto ao cirúrgico. A ideia de que "ainda não está ruim o suficiente" faz com que muitos pacientes percam a janela de um tratamento menos invasivo. O terceiro aspecto diz respeito ao pós-operatório. Mesmo com as técnicas modernas, a cirurgia exige disciplina na recuperação. Uso da sandália especial pelo tempo indicado, movimentação dos dedos desde os primeiros dias, retorno gradual às atividades e acompanhamento médico regular são parte do resultado. Por fim, o joanete operado com técnica adequada e indicação correta não "volta". A recidiva existe como possibilidade em qualquer técnica cirúrgica, mas os índices são baixos quando a indicação é precisa e o paciente segue as orientações do pós-operatório.
O caminho é a informação Votuporanga acompanha a tendência de crescimento populacional e de envelhecimento que marca o interior paulista. A estimativa do IBGE de 2024 confirmou que o município ultrapassou a marca de 100 mil habitantes, com 13,9% da população acima de 65 anos. É justamente nessa faixa etária que a prevalência do joanete ultrapassa 35%. Profissionais do COE, centro de ortopedia especializada radicado na capital de Goiás, destacam que o acesso à informação de qualidade é o que permite ao paciente tomar decisões melhores. Saber que o joanete é uma deformidade progressiva, que o tratamento conservador tem limite, que existem técnicas cirúrgicas modernas com recuperação muito diferente do que se imaginava há duas décadas e que a escolha do especialista faz diferença no resultado são informações que deveriam chegar ao paciente antes que a dor se torne insuportável, e não depois.
Notícia publicada no site: www.acidadevotuporanga.com.br
Endereço da notícia: www.acidadevotuporanga.com.br/saude/2026/03/joanete-precisa-de-cirurgia-o-que-define-a-decisao-e-o-que-mudou-nos-ultimos-anos-n86706
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