A Dra. Regina Silvia Chaves de Lima, médica infectologista da Santa Casa de Votuporanga, explica o que é a doença
Dra. Regina Silvia Chaves de Lima, médica infectologista da Santa Casa de Votuporanga. Foto: Santa Casa
A chegada recente de casos de Mpox à região acendeu um alerta para a importância da informação correta. Embora o vírus seja conhecido desde a década de 60, a dinâmica de transmissão mudou e exige atenção redobrada da população.
Para esclarecer as principais dúvidas, a Dra. Regina Silvia Chaves de Lima, médica infectologista da Santa Casa de Votuporanga, explica o que é a doença, como identificá-la e o que fazer em caso de suspeita.
O que é a Mpox?
Diferente do que o nome antigo sugeria, a Mpox é um vírus da família da varíola que, embora tenha origem em primatas, hoje apresenta transmissão direta entre seres humanos. Trata-se de uma doença extremamente contagiosa que requer isolamento rigoroso.
Fique atento aos sintomas
A Dra. Regina pontua que a doença costuma seguir uma linha de evolução: fase inicial: começa com febre, mal-estar geral, náuseas e vômitos; gânglios (Ínguas): é comum o surgimento de ínguas, principalmente na região do pescoço; lesões de pele: surgem manchas vermelhas que evoluem para vesículas (bolhas com líquido). Esse líquido torna-se purulento até que a ferida seque e vire uma crosta (casquinha). "Essas lesões podem durar de 3 a 4 semanas. É nelas, especificamente no líquido das feridas, que o vírus se concentra e é transmitido", alerta a infectologista.
Como ocorre a transmissão?
A contaminação acontece de duas formas principais: contato direto: tocar nas lesões ou no líquido expelido por elas; via respiratória: através de gotículas expelidas por uma pessoa infectada; o período de incubação (tempo entre o contato e o início dos sintomas) é de aproximadamente 21 dias.
Tratamento e a importância do isolamento
Atualmente, não existe um tratamento antiviral específico para a Mpox. Os cuidados médicos focam no alívio dos sintomas e na prevenção de infecções secundárias nas feridas: uso de antitérmicos e analgésicos; cuidados locais com as lesões; isolamento total: o paciente deve permanecer isolado até que todas as feridas tenham secado e caído as crostas. Enquanto houver líquido, há transmissão.
Grupos de risco e formas graves
Embora a doença seja geralmente autolimitada, ela pode ser grave para gestantes, crianças, idosos e pessoas imunossuprimidas (pacientes com HIV, Lúpus, Diabetes ou em uso prolongado de corticoides). Nesses casos, o vírus pode atingir os pulmões, causando insuficiência respiratória grave.
O que fazer em caso de suspeita?
A recomendação da Dra. Regina Silvia é clara: ao notar os primeiros sintomas e o surgimento de lesões, procure o serviço de saúde imediatamente.
"Todo caso suspeito deve ser notificado. A Vigilância Epidemiológica realiza a coleta de material da própria lesão para o exame confirmatório. O isolamento deve ser instituído no momento da suspeita", finaliza a médica.