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Saúde
Nem toda dor muscular no quadril é simples e ela pode indicar desgaste grave
Rigidez ao levantar, dificuldade para calçar sapatos e dor na virilha estão entre os sintomas que muitos pacientes ignoram por anos antes de procurar avaliação especializada
Uma dor que aparece ao subir escadas. Um incômodo na virilha que piora depois de ficar muito tempo sentado. A dificuldade para cruzar as pernas ou calçar uma meia, que antes era automática e agora exige esforço. Para boa parte das pessoas, esses sinais parecem coisa passageira, resultado de um mau jeito, de excesso de exercício ou do próprio envelhecimento. O problema é que, em muitos casos, eles indicam o início de um processo degenerativo na articulação do quadril, e a demora em investigar pode transformar um quadro tratável em uma condição cirúrgica. De acordo com a Sociedade Brasileira do Quadril (SBQ), cerca de 10 milhões de brasileiros convivem com artrose de quadril, uma doença que desgasta a cartilagem entre a cabeça do fêmur e a bacia. A Organização Mundial da Saúde estima que 80% da população com mais de 65 anos já apresenta algum grau de artrose. E os números globais confirmam a tendência de crescimento: entre 1990 e 2019, os casos de osteoartrite no mundo saltaram de 247 milhões para quase 528 milhões, conforme levantamento publicado com base no Global Burden of Diseases. A osteoartrite de quadril, especificamente, foi a que registrou os maiores aumentos percentuais anuais entre todas as formas da doença. No noroeste paulista, o envelhecimento acelerado da população torna o tema ainda mais urgente. Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE, mostram que 14% dos moradores de Votuporanga já têm 65 anos ou mais, proporção acima da média estadual. A média de idade no município chegou a 38 anos, enquanto no estado de São Paulo é de 37 e no Brasil, 35. O perfil demográfico indica que a demanda por atendimento ortopédico na região tende a crescer nos próximos anos, e o quadril está entre as articulações mais afetadas pelo desgaste.
O que diferencia a dor muscular de um problema articular A confusão entre dor muscular e dor articular no quadril é comum. Contraturas nos glúteos, nos flexores da coxa e na musculatura lombar geram desconforto em regiões próximas, e o paciente tende a atribuir o incômodo ao sedentarismo, ao colchão ou ao excesso de peso. Essa interpretação, muitas vezes, atrasa a busca por avaliação médica. Como enfatiza Dr. Tiago Bernardes, profissional da ortopedia especializado em quadril e com trajetória profissional em Goiânia, a diferença está no padrão. Uma contratura muscular costuma melhorar com repouso, calor local e alongamento em poucos dias. Já a dor articular do quadril tem características próprias: aparece na virilha ou na parte anterior da coxa, piora ao caminhar e subir escadas, e se acentua quando o paciente fica sentado por longos períodos e precisa se levantar. A rigidez matinal, que dificulta os primeiros passos do dia, é outro indicador frequente. Quando a limitação avança, tarefas simples passam a exigir compensações. O corpo redistribui a carga para a coluna lombar e o joelho do mesmo lado, o que pode gerar dor nessas regiões. É comum que o paciente procure primeiro um clínico geral ou um fisioterapeuta por causa de dor lombar ou no joelho, sem desconfiar que a origem do problema está no quadril.
Sinais que exigem atenção imediata Nem toda dor no quadril indica artrose. Bursites, tendinites dos glúteos, impacto femoroacetabular e lesões do labrum também afetam a região e podem ser confundidos entre si. Por isso, o diagnóstico preciso depende de exame clínico detalhado e exames de imagem. Alguns sinais, porém, exigem investigação rápida: dor intensa que impede apoiar o peso no pé; encurtamento visível de uma perna em relação à outra; dor que piora progressivamente ao longo de semanas, sem melhora com analgésicos comuns; dor noturna que acorda o paciente; e febre associada a dor e inchaço na articulação. Esses sintomas podem indicar fraturas ocultas, infecção articular ou necrose da cabeça do fêmur, condições que não toleram atraso na avaliação. Em idosos, o risco de fratura no quadril após quedas é alto, especialmente entre mulheres com osteoporose. Dados do DATASUS indicam que as internações por artrose em idosos são predominantemente femininas, representando mais de 60% dos casos, e a faixa entre 60 e 69 anos concentra o maior número de hospitalizações. A região Sudeste, onde se encontra Votuporanga e o noroeste paulista, responde por mais da metade dessas internações no país.
Por que o diagnóstico costuma demorar Existem razões práticas e culturais para a demora. A primeira é que a artrose do quadril se instala de forma gradual. O paciente se adapta à limitação sem perceber. Deixa de caminhar longas distâncias, abandona um esporte, passa a evitar escadas. Quando procura o médico, já convive com a dor há meses ou anos. A segunda razão é a confusão entre especialidades. O quadril é uma região de fronteira entre a ortopedia, a reumatologia e a fisioterapia. Um paciente pode passar por vários profissionais antes de chegar ao especialista correto. A avaliação com um médico ortopedista especialista em quadril é o que permite diferenciar causas musculares, articulares e ósseas, com apoio de exames como radiografia, ressonância magnética e, em alguns casos, tomografia. O terceiro fator é a resistência à ideia de cirurgia. Muitos pacientes evitam o especialista por medo de ouvir que precisam operar. Na prática, a maioria dos casos de artrose é tratada de forma conservadora. Fisioterapia com foco no fortalecimento dos glúteos e da musculatura do tronco, controle do peso corporal, adaptação de atividades e uso de medicamentos quando necessário compõem o tratamento inicial. A cirurgia de prótese de quadril, a artroplastia, só entra em discussão quando o tratamento conservador não alivia os sintomas e a perda de qualidade de vida é significativa.
O peso do atraso no tratamento O desgaste da cartilagem do quadril não regride. É um processo progressivo. Quanto mais tempo o paciente convive com a dor sem tratamento adequado, maior o comprometimento da articulação e da musculatura ao redor. A fraqueza dos glúteos, por exemplo, agrava a instabilidade da articulação e acelera o desgaste. É um ciclo que se alimenta sozinho. Para quem desenvolve artrose em idade mais jovem, o atraso tem consequências ainda maiores. Dados do Ministério da Saúde indicam que a artrose acomete cerca de 15 milhões de brasileiros, ou 7% da população. Entre os acima de 50 anos, 60% já apresentam algum grau de degeneração articular, segundo a OMS. Quando o quadro avança sem acompanhamento, a perda de mobilidade compromete não apenas a locomoção, mas a capacidade de trabalhar, de manter a autonomia e de participar da vida social. Segundo a equipe técnica do COE, centro de ortopedia especializada estabelecido em Goiânia, nos casos em que a artrose chega a um grau avançado, a artroplastia total do quadril é o tratamento mais indicado. A revista científica The Lancet classificou esse procedimento como uma das cirurgias mais bem-sucedidas do século, pelos resultados em alívio da dor e recuperação da função. Entre 2012 e 2021, o DATASUS registrou mais de 251 mil artroplastias de quadril no sistema público brasileiro. As regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte desses procedimentos, o que indica tanto maior acesso quanto maior demanda nas áreas com população mais envelhecida.
Quando buscar um especialista e como escolher A recomendação dos especialistas é direta: qualquer dor no quadril que dure mais de duas a três semanas, que piore progressivamente ou que limite atividades do dia a dia merece avaliação com ortopedista especializado na articulação. Dor na virilha ao caminhar, rigidez ao acordar, dificuldade para calçar sapatos e sensação de "travamento" do quadril são sinais que não devem ser ignorados. Na hora de escolher o profissional, vale considerar a formação específica do médico. A ortopedia tem subespecialidades bem definidas: há quem se dedique ao joelho, à coluna, ao ombro. O quadril, por ser uma articulação profunda e complexa, exige experiência em diagnóstico diferencial e em técnicas cirúrgicas próprias. Clínicas que reúnem equipes multidisciplinares, com ortopedistas de diferentes subespecialidades, fisioterapeutas e nutricionistas, permitem um acompanhamento mais completo. Quem busca uma clínica ortopédica especialista em quadril pode verificar se a equipe conta com profissionais com formação em cirurgia do quadril, se a clínica tem histórico de atendimentos na área e se oferece tanto o tratamento conservador quanto o cirúrgico, quando necessário. Para moradores do interior de São Paulo, onde o acesso a subespecialistas pode ser mais restrito, a telemedicina tem ampliado as possibilidades. Consultas iniciais por vídeo permitem que o paciente receba orientação sobre a necessidade de exames e sobre os próximos passos antes de se deslocar para um centro de referência.
Um problema que não espera A população de Votuporanga e do noroeste paulista envelhece mais rápido que a média do estado. O município, reconhecido pela qualidade dos indicadores de saúde na atenção básica, tem estrutura sólida de atendimento primário. A nota 9,78 no Indicador Sintético Final do SISAB, a mais alta entre cidades paulistas com mais de 100 mil habitantes, reflete esse trabalho. Mas doenças articulares como a artrose de quadril exigem atenção especializada, e o diagnóstico precoce depende, antes de tudo, de o paciente reconhecer que aquela dor não vai passar sozinha. A rigidez que apareceu nos últimos meses, a dor que incomoda ao levantar da cadeira, o passo que encurtou sem motivo aparente: são sinais de que o corpo está pedindo investigação. Adiar essa consulta não faz a dor desaparecer. Faz, em muitos casos, o tratamento ficar mais difícil.
Notícia publicada no site: www.acidadevotuporanga.com.br
Endereço da notícia: www.acidadevotuporanga.com.br/saude/2026/03/nem-toda-dor-muscular-no-quadril-e-simples-e-ela-pode-indicar-desgaste-grave-n86707
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