Em um de nossos textos anteriores comentamos a questão da compreensão de que as atitudes assumidas por crianças e adolescentes no ambiente escolar são resultado da Educação que vem do lar (como cotidianamente ouvimos).
Esta premissa, que entendo ser equivocadamente tratada, recebeu fortíssimo golpe retratado pela notícia jornalística sobre a atitude de adolescentes em uma escola paulistana que, por meio de um dos recursos das redes sociais, elaboraram listagem das colegas em uma escala de “mais ou menos estupráveis”.
Este fato concreto é representante da ausência de formação de nossos adolescentes ou crianças. Vide, igualmente, o caso da jovem de 17 anos que foi estuprada por organização (intencionalidade) de seu namoradinho e alguns amigos deste, já adultos, que ocorreu recentemente (neste caso no Rio de Janeiro).
Não nos foi possível acompanhar as providências e atitudes assumidas pela escola e, muito especialmente, pelas famílias dos envolvidos. Acreditamos que deve ter ocorrido em favor do respeito às vítimas e da indispensável atenção à saúde destas.
As denominadas “redes sociais”, altamente valorizadas, incrementadas, ampliadas e multiplicadas estão favorecendo “aprendizagens” as mais diversas e deletérias na formação de crianças e adolescentes. Talvez, creio eu, que deveriam ser denominadas como “redes antissociais”.
Não se trata de uma questão de censura ou castração da liberdade individual de manifestação de todas as formas (faladas, escritas, visualizadas). Os ambientes sociais, como por exemplo a escola, são território altamente favorável à manifestação de concepções, crenças e atitudes diversas. O ato de zelar na criação, construção, manutenção e desenvolvimento dos ambientes de convívio de nossos filhos e netos, está sob a responsabilidade da e na Escola, Academia, Clube, Condomínio e tantas outras opções pelos gestores adultos, incluímos neste grupamento as casas de outras famílias.
Estes ambientes, diversos por natureza, não estão totalmente controlados de forma a impedirmos que atos como os verificados, talvez pela aceitação de que “a educação vem do lar” e por vezes não serem objeto de intervenção de adultos (os gestores escolares) que se distanciam das crianças e adolescentes, muito especialmente dos espaços criados por eles e da própria escola, neste caso em específico.
A formação das pessoas em nossa sociedade exige que tenhamos, enquanto profissionais da educação, aguçado desenvolvimento de nossos mecanismos de percepção (ver o que não foi mostrado, ouvir o que não foi dito e sentir o que não foi tocado) de forma a favorecer a coerente ação educativa/formativa. Afinal, quando as crianças e adolescentes se encontram no ambiente escolar, esta é uma pequena representação de nossa sociedade e espera-se que os adultos que ali se encontram, com a responsabilidade e confiança atribuída pelas famílias, atuem com competência profissional na mediação, esclarecimento e alinhamento de atitudes humanas/sociais responsáveis e éticas.
Ainda que aceitemos, não passiva e irresponsavelmente, que a educação de uma pessoa tem origem no lar, temos claro, também, que o número de lares brasileiros monoparentais tem crescido nos últimos anos .
Como uma provocação/desafio à meditação dos leitores e leitoras o resultado de estudo recente:
Um estudo sobre maternidade na adolescência no Brasil feito por pesquisadores do Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel) revelou que uma em cada 23 adolescentes entre 15 e 19 anos torna-se mãe a cada ano. Entre 2020 e 2022, mais de 1 milhão de jovens nessa faixa etária tiveram filhos. Entre meninas de 10 a 14 anos, o número passou de 49 mil. De acordo com a legislação, nessa faixa etária, qualquer gestação é considerada resultado de estupro de vulnerável .(Grifo Nosso)