Desde pequeno ouço, de muitos adultos e cuidadores, a frase: “você não pode ser dedo-duro”. É dita às crianças sobre amigos, colegas ou familiares. No fundo, é uma punição a quem percebe uma ação ilegal, injusta ou prejudicial e decide denunciar. Serve para calar quem assistiu ao fato.
Por outro lado, a lei determina que todo cidadão que presenciar desrespeito a qualquer norma legal tem o dever ético de impedir. Pode até assumir força de polícia para cessar a infração.
No entanto, quando uma autoridade ou político é flagrado em ação ilegal, aparece a frase clássica nas relações de poder: “você sabe com quem está falando”. É a pressão do poder tentando impedir o encaminhamento ético da ação equivocada ou criminosa.
Aí, boa parte da sociedade, aquela que não compreende o estado deletério da política no país, chama quem descobriu e tentou impedir a falcatrua de “dedo-duro”. Não é?
Mas não para aí. Em seguida, a autoridade ou o político flagrado, dependendo de seus relacionamentos e do poder que detém, passa a agir contra o suposto “dedo-duro”. O objetivo é claro: fazer essa pessoa perder credibilidade, emprego ou, em casos mais graves, até a vida. Veja o caso do criminoso assassinado no aeroporto de Guarulhos — delator do PCC — ainda que membro da própria organização criminosa.
Enquanto a sociedade continuar agindo com conivência, favor e solidariedade ao abusador, as ações de impedimento de erros, de malversação de recursos e outras atitudes deletérias vão seguir e crescer ainda mais.
O pior dos comportamentos que, infelizmente, surge é o apoio ao infrator e a aceitação de suas atitudes deletérias e de suposta preservação do poder.
O que esperamos é a presença atitudinal da ética e não como alguns colocam em seus discursos: “seremos muito éticos” na condução das ações em sociedade. Não há gradação da ética. Ele está presente ou ausente.
Prezados/as leitores/as, “qual seu posicionamento sobre a tentativa de punição dos corretos e da aceitação dos malandros? ”