Revisitando uma série de documentos sobre humanidade e conflitos bélicos, encontramos, sem surpresa, que os humanos jamais vivenciaram, em tempo algum, momentos plenos de paz entre seus diversos grupamentos sociais. Desde os conflitos mais íntimos — como assassinatos dentro de uma mesma tribo ou família, motivados pelo desejo de poder — até as grandes guerras. Como justificar esse comportamento de “poder a qualquer custo” no seio do que convencionamos chamar de HUMANIDADE?
Vamos além das questões econômicas e financeiras, amplamente relatadas ao longo da história. Hoje podemos refletir sobre disputas ligadas, por exemplo, às chamadas “terras raras” — territórios com maior potencial de exploração mineral e extrativista, movidas por interesses exclusivamente econômicos.
Os povos que vivem nesses territórios são, ou em breve serão, expulsos de seus espaços de vida. O poder sobre a vida do outro se traduz em violência exacerbada: eliminar o opositor, o antagonista, o divergente. É o que vemos em algumas cidades do Nordeste brasileiro, tomadas por organizações criminosas que se apropriam de territórios ocupados por centenas de famílias. Famílias que foram forçadas a abandonar seus lares, que passaram a ser propriedade desses grupos.
É contraditório convivermos com tais comportamentos enquanto a própria sociedade discute o respeito à diversidade humana. A diversidade de pensamento, de ideias e de propostas sequer é minimamente respeitada. Basta observar a reação dos detentores do poder, em todos os níveis, quando são desafiados por ideias diferentes das suas. Quando não conseguem silenciar com argumentos, recorrem a ameaças, demissões e, em casos extremos, à contratação de sicários.
Humanos destruindo humanos por razões hipócritas. Uma sociedade que aperfeiçoou os métodos de eliminar os discordantes. E quando esses grupos se perpetuam no poder por anos, chegam a desmontar as eleições como forma de impedir a voz dos divergentes.
Nesse ponto, vem à mente uma frase recorrente na democracia: “a alternância no poder é a forma de garantir a democracia”. No entanto, os que estão no poder, em qualquer nível, não aceitam a alternância. Tampouco se colocam como participantes de um processo colaborativo que vise concretamente o bem de todos.
Infelizmente a paz reside nos milhares de ogivas nucleares já construídas ou a construir. Quando forem utilizadas haverá a paz sem a existência humana. Não é?