As relações humanas foram pautadas com base em confiança mútua, respeitosa e dignamente mantida. Ainda podíamos ouvir que um acordo ou negócio havia sido contratado com base sólida do “fio do bigode”.
Hoje certamente muitas pessoas, especialmente as mais jovens, sequer sabem o significado desta curta frase de nossa “antiga” cultura.
Nas relações comerciais mais simples, porém diárias, estavam contidas em uma “caderneta” em que o comerciante anotava as despesas familiares por um determinado tempo para que, assim que possível, fossem quitadas pelo cliente regular e fiel.
Confiança entre pessoas, negociadores ou grupos de pessoas estavam presentes. O valor que, infelizmente, não se encontrava presente nas escolhas políticas dignas de uma verdadeira democracia.
De ambos os lados, povo e classe política, sempre houve aquelas que ocultavam seus verdadeiros conceitos sobre “viver em sociedade honestamente”.
Assistimos candidatos oferecendo a times de futebol (os da várzea, como eram conhecidos) jogo de camisas em troca dos votos da equipe. Em outras oportunidades, um dos pés de um calçado antes da eleição e o outro após a confirmação do eleito. A realização de reuniões em praças públicas em que as pessoas compareciam por receberem algum tipo de “benefício” para agitar bandeiras (também pagas pelos candidatos).
Em níveis mais elevados da relação comercial a venda de facilidades passa a ser recompensada quando o eleito assumisse o cargo e dele se locupletar. Neste mesmo espectro encontramos associações de classe que vendem aos mais poderosos o suposto apoio da maioria de seus associados.
O ambiente deletério que foi sendo construído gradativamente em nossa sociedade que pode ser simbolizado pelo slogan de um famoso político do passado, “roubo mas faço”.
E, neste caminho da ausência da confiança, observamos a eleição de um Rinoceronte (em São Paulo) e o constante crescimento do número (ou porcentagem, como queira) dos votos nulos e das justificativas da ausência em pleitos que definem rumos. E, desculpem, não acreditamos mais na ideia de que apenas os conscientes de sua responsabilidade na digitação do sufrágio o fazem por análise das competências dos candidatos.
E, um fato infelizmente muito comum nos últimos tempos, a venda de um partido a outro nos acordos espúrios para a conquista de espaços de poder. Assistimos a muitos destes que, depois de confirmado no poder eliminam ou traem seus “parceiros” eleitorais.
Não há mais, talvez nunca tenha existido o “fio do bigode” nestas relações. Vence quem paga mais, considerando todas as hipóteses de negociações para a manutenção do e no poder.