Caminhando o caminho da vida, sempre pisando em pedras ocultas em mares de constantes incertezas, me ponho a pensar sobre a vida vivida em meio às transformações humanas, demasiadamente humanas.
Neste texto desejo provocar leitores e leitoras na direção de analisarem a partir de algumas citações que me parecem representar a necessidade atual em nossa humanidade. Vamos lá!
Heráclito de Éfeso, filósofo pré-socrático, afirmava que “nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio… pois na segunda vez o rio já não é o mesmo, nem tampouco o homem.” Essa metáfora é um poderoso lembrete da impermanência de todas as coisas. A água do rio flui incessantemente, e com ela, o próprio rio se transforma. Da mesma forma, o ser humano está em constante mutação; suas experiências, pensamentos e sentimentos se moldam a cada instante. Essa reflexão nos lembra que nada permanece estático, e Heráclito nos convida a refletir sobre a mudança como a única constante (texto encontrado em https://www.instagram.com/reel/DBEVEwCuS6V/, @pilulasfilosóficas, com Monja Coen).
Afinal, como podemos crescer e evoluir sem aceitar a transformação como parte essencial de nossa existência?
Do encontro entre dois sábios em que discutiam sobre tema que ambos apresentavam fundamentos, conceitos, compreensão individual e total ou parcialmente contraditórios, surgem novas perspectivas humanas que, ainda que distintas (naturalmente) não impedem que cada qual siga seu caminho com suas perspectivas e fundamentos. Ambos se respeitam integralmente e não julgam o outro como um “idiota”, “imbecil”, ou qualquer outro qualificativo humano, diga-se, desprezível.
Durante meio século participamos de inúmeras discussões no campo específico de nossa formação profissional e convivemos com diversidade de pensamentos, algo de elevado valor no seio das instituições formadoras de profissionais (ensino superior).
A partir de um determinado momento, que ouso afirmar ter sido concomitante com o ingresso da ideologia política no seio das instituições, passamos a conviver com a negação irresponsável, agressiva e excludente dos pensamentos, convicções, fundamentação e ideologias dos que ousavam dialogar com perspectivas distintas da pretendida por um (único) espectro ideológico. Convivemos com processos seletivos de contratação de pessoas pautado, quase que exclusivamente, pela adesão em termos de ideologia de um único grupo.
Estas atitudes se reproduziram e geraram adeptos da “ideologia” construída ao longo de alguns anos. Hoje, infelizmente, ao ser aventado um tema, proposta ou fundamento, os “sábios” quando se encontram iniciam os diálogos destruindo o oponente (aquele que, na ótica destes, os agridem com seus conceitos), atacando especificamente as características, por vezes como identificações que lhe são impostas pelos antagonistas sem que sejam efetivamente verdadeiras.
A imposição de valores de um lado e de outro não mais passam pelos argumentos a serem analisados. São atitudes com base em conceitos deteriorados de um lado acusados como “comunistas” e de outro como “fascistas”. A partir desta lógica não mais são discutidos os temas relevantes à sociedade. O objetivo único é a destruição do outro, sem qualquer fundamento lógico aceito.
Não são estes os comportamentos que observamos? Ou este professor está equivocado?
O mundo que cria a inteligência artificial, avança em inúmeras áreas do conhecimento humano, exige habilidades e competências muito além da inoperante e desmedida agressão sistemática aos antagônicos sem, minimamente, ponderar conceitualmente as possíveis divergências. Acabo de ouvir dos candidatos que participarão do segundo turno que “vamos demonstrar tudo o que de maléfico está ao lado de nosso concorrente”. Não ouço propostas objetivas, ainda que de difíceis conquistas.
Muitos dos políticos presentes no quadro geral de representação popular estão, como tal, há muito tempo, alguns por mais de 5 mandatos, e nada fizeram para superarmos as detectadas e exaustivamente explicitadas mazelas sociais.