Em todos os espaços de convivência, discussão e formação humana percebemos — ou somos exigidos, até com certa intensidade — quanto ao indispensável respeito à diversidade.
O momento vivido em nossa sociedade nos fez meditar sobre esta questão, RESPEITO À DIVERSIDADE, como uma imperiosa necessidade comportamental entre humanos e na sua relação com a natureza como um todo. Tanto em termos da espécie humana, da preservação da flora como fonte de nossa sobrevivência quanto no trato com a fauna.
Caminhamos na direção de nos compreendermos como seres gregários e responsáveis pela existência de nosso habitat, ainda que tenhamos divisões culturais que promovem contrastes comportamentais distintos para os quais, talvez, não estejamos suficientemente preparados para respeitar.
Quando toco neste tema, diversidade cultural, me vêm à mente alguns intrigantes aspectos comportamentais existentes pelo mundo. Um dos exemplos que considero são as “mulheres girafas”.
As “mulheres girafas” — ou mulheres Kayan/Karen — pertencem a uma etnia originária da região de Kayah, em Mianmar (Birmânia), que vive atualmente como refugiada no norte da Tailândia. Fugiram de conflitos civis, torturas e perseguições militares em Mianmar a partir da década de 1980.Observem que são fugitivas de um país que desconsiderou esta cultura e forçou sua exclusão cultural e territorial.
Transpondo esta atitude humana — melhor seria desumana — para o que vivemos em nosso país em termos de cultura política, vem a questão: qual a razão da execração recíproca entre defensores de propostas ideológicas antagônicas? Qual a razão das agressões verbais exacerbadas, da destruição do patrimônio público, cultural e, até, das agressões físicas entre membros dessas diferentes agremiações?
A democracia, aquela que se encontra definida em nossa Constituição, pressupõe a liberdade de pensamento e de expressão que, em nosso entendimento, está sendo desconsiderada em sua essência. A convivência pacífica entre diferentes ideologias é a mais clara demonstração de sua existência e continuidade. A verdadeira democracia. Inclusive o respeito às decisões populares mediante o voto, denominado como a mais legítima demonstração da democracia, que, infelizmente, não estamos observando.