Presidente do sindicato, Lia Marques, afirma que modelo atual é exaustivo e dificulta contratação de trabalhadores no comércio
Sindicato dos Empregados no Comércio de Votuporanga (Sincomerciários) fica na rua Rio de Janeiro Foto: A Cidade
Daniel Marques
daniel@acidadevotuporanga.com.br
O Sindicato dos Empregados no Comércio de Votuporanga (Sincomerciários) se posiciona favoravelmente ao fim da escala de trabalho 6x1. Em conversa franca e direta com a reportagem do jornal
A Cidade, a presidente da entidade, Lia Marques, abordou os impactos do modelo atual na rotina dos trabalhadores do setor.
Segundo ela, a escala 6x1, na qual o funcionário trabalha seis dias consecutivos e folga apenas um, tem se mostrado desgastante. Ao explicar a dinâmica vivida pelos comerciários, Lia detalhou: “eu vou falar a minha categoria que é comerciário. Então ele trabalha segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo. Quem trabalha no domingo tem um dia de folga, tá? Ah, mas é 44 horas semanal, mas tem um banco de horas, tudo explode”.
A presidente também afirmou que esse formato tem reflexos no mercado de trabalho, especialmente na dificuldade enfrentada por empresas para preencher vagas. De acordo com ela, o cansaço mental associado à rotina contribui para a baixa procura por esses postos. “Hoje a grande dificuldade está de arrumar gente para trabalhar, tanto em mercado, tanto em comércio, porque realmente é exaustivo”, declarou.
Durante a entrevista, Lia Marques mencionou ainda que alternativas à escala 6x1 já vêm sendo adotadas em algumas empresas no estado. Ela citou exemplos de redes que implementaram o modelo 5x2, no qual o trabalhador atua por cinco dias e folga dois consecutivos. “nós temos já, no Estado de São Paulo, uma grande rede de farmácia que já está fazendo o 5x2. Nós temos supermercados também que já estão fazendo aqui no Estado de São Paulo 5x2. Aí eu vi a reportagem falando que facilitou para ele [o proprietário da rede] contratar funcionário, melhorou a empresa, começou a crescer mais, então ele fala que foi muito positivo”, afirmou.
A presidente do sindicato também destacou a questão salarial como um fator relevante na discussão sobre a jornada de trabalho. Segundo ela, a combinação entre remuneração considerada baixa e a exigência de longos períodos consecutivos de trabalho tem afastado trabalhadores. “Hoje os salários são baixos, então a pessoa não quer trabalhar de segunda a segunda exaustivamente para ter aquele salário. Você tendo a folga dois dias na semana, aí o funcionário vai estar realmente descansado”, disse.
Trazendo um pouco a situação para Votuporanga, Lia citou uma matéria do jornal A Cidade sobre a quantidade grande de atestados, e afirma que isso se deve por “exaustão”, portanto muitos funcionários são afastados. Por último ela se mostra otimista sobre o projeto passar no Congresso ainda esse ano. “Esse, com certeza, vai ser aprovado”, afirma.