A reportagem do jornal A Cidade conversou com descendentes sobre a expectativa para o jogo entre Brasil e Japão
Márcio Ishikawa (ao lado da esposa Fernanda), Tomio Abe e Walter Kitamura Fotos: Arquivo Pessoal
Daniel Marques
daniel@acidadevotuporanga.com.br
O confronto entre Brasil e Japão, marcado para a próxima segunda-feira, às 14h, em Houston, nos Estados Unidos, pelas 16 avos de final da Copa do Mundo, tem provocado um sentimento especial entre votuporanguenses descendentes de japoneses. A reportagem do jornal
A Cidade conversou com alguns moradores de Votuporanga que têm ascendência japonesa e, para muitos deles, a partida será acompanhada com o coração dividido entre o país onde nasceram e a terra de seus antepassados.
O empresário Tomio Abe, de 55 anos, afirmou que vai torcer pela Seleção Brasileira, embora admita que o duelo desperta emoções dos dois lados. Filho de japoneses, ele esteve no Japão a trabalho durante a década de 1990 e mantém forte ligação com a cultura do país asiático. Ao fazer sua previsão para o confronto, resumiu o sentimento em poucas palavras: “vai ser 1 a 0 para o Brasil, mas com o coração dividido”.
Já Walter Kitamura prefere que o resultado seja decidido pela menor diferença possível. O advogado aposentado, de 75 anos, é filho de japoneses, mas nasceu e cresceu no Brasil. Ele tem acompanhado os jogos das duas seleções durante a Copa do Mundo e disse estar satisfeito com a evolução apresentada pela equipe japonesa ao longo dos anos, atribuindo parte desse desenvolvimento ao trabalho realizado por Zico no futebol do país. Sobre o confronto, afirmou: “como não dá para empatar, o melhor seria um resultado por placar mínimo”.
O nissei Márcio Alexandre Nogueira Ishikawa, de 52 anos, acredita que o Japão levará a melhor no duelo, apesar de declarar sua torcida pela Seleção Brasileira. “Torço pro Brasil, mas acho que vamos perder de 2 a 1”, afirmou. Filho de japonês, Márcio morou por quase dez anos no Japão, entre idas e vindas, período que considera marcante em sua trajetória. “Sou grato demais por tudo que o Japão me proporcionou. As pessoas lá são muito disciplinadas e, pelo que estou acompanhando, os jogadores são bem focados”, comentou.
Entre previsões, lembranças familiares e laços culturais, os descendentes de japoneses de Votuporanga demonstram que o confronto entre Brasil e Japão vai muito além da disputa por uma vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo, reunindo histórias pessoais que conectam as duas nações dentro e fora de campo.