O jornal A Cidade conversou com duas mulheres que após muita luta, conseguiram sua independência e hoje cuidam de suas famílias
Isabela Fernandes (à esquerda) e Ana Paula Vieira (à direita) conseguiram alcançar seus objetivos enfrentando muitas dificuldades. Foto: A Cidade/Arquivo pessoal
Da Redação
O sonho da independência financeira é compartilhado por boa parte da população brasileira. Mas para as mulheres, esse sonho é sempre mais difícil. Isso porquê ainda existe no Brasil uma expectativa de que as mulheres precisam trabalhar e cuidar da casa e dos filhos. De acordo com um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em parceira com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), no Brasil as mulheres dedicam, em média, 9,8 horas a mais de trabalho de cuidado não remunerado que os homens. É nesse contexto que o jornal
A Cidade buscou exemplos de mulheres que conseguiram alcançar esse sonho apesar das dificuldades.
Foco como CLT
Ana Paula Vieira tem 40 anos e é técnica de educação em uma reconhecida instituição de ensino. Apesar disso, ela não nasceu em berço de ouro e teve que lutar para conquistar tudo o que tem hoje. Durante o período da faculdade de psicologia, ela percebeu que “conseguir me sustentar, conseguir pagar a minha faculdade poderia me dar um futuro, poderia me proporcionar uma transformação de vida.” Foi a partir daí que ela decidiu que precisaria fazer de tudo para não precisar de ajuda para se sustentar.
A técnica de educação também reforçou a importância dos estudos para conseguir alcançar o sucesso na sua carreira. Ela explicou que é muito importante se entender e achar uma área com a qual se identificar, e estudar é a chave disso. “Isso ajuda muito para que você tenha sucesso nessa área. Eu entendo que ter estudado foi o que me abriu mais portas e mais possibilidades de hoje ter uma renda que me permita me sustentar e sustentar as minhas filhas”, completa.
Mas apesar de conseguir o sonho de independência financeira como celetista, ela também se arriscava como empreendedora para conseguir completar a renda. E mesmo hoje, em um cargo de liderança, ela ainda mantém seu pequeno empreendimento. “Logo que eu me formei, eu passei também a atender na clínica, então eu caminhava sempre em paralelo com o CLT e com o trabalho autônomo. Hoje em dia, da mesma forma. Faz cerca de quatro anos que eu tenho um brechó virtual, um empreendimento que me ajuda nos momentos de aperto e também acaba sendo, para mim, um hobby, porque é algo que eu gosto muito.”, lembra.
Empreendimento próprio como ideal
Isabela Fernandes tem 38 anos e é dona da Chocolateria da Isa, empreendimento de confeitaria com loja física desde 2021. Mas a vida não foi sempre tão bem definida. Ela começou na área de doces e chocolates aos 17 anos, um ano após o nascimento do seu primeiro filho, como forma de conseguir uma renda extra. Isso já se juntava ao trabalho formal que ela mantinha. Como ela mesma coloca, “eu sempre quis buscar alguma coisa e não depender dos outros, então eu acabei indo buscar formas de ganhar meu dinheiro.”
Os estudos importaram muito para a criação de um negócio, não somente o curso superior de Gestão Comercial. Contando todos os cursos que a confeiteira fez, daria “quase que uma faculdade”, conta rindo. A importância de se atualizar dentro da área escolhida não pode ser deixada de lado. “Hoje, eu busco técnicas, porque as combinações, as composições, você vai acabando tendo conhecimento do que você já tem. Das suas receitas, do domínio sobre isso. Aí, você vai desenvolvendo técnicas de pessoas que são mais experientes que você”, explica, contando também que o último curso que fez foi em São Paulo.
Apesar de ser agora sua paixão, trabalhar com comidas e, mais especificamente doces, está no sangue de Isabela. “Eu venho de uma linhagem de pessoas que sempre trabalham e gostam muito de comida. A minha avó era muito conhecida na cidade como a Helena boleira.”
A junção dos dois caminhos
Tanto Ana Paula quanto Isabela têm conselhos bem parecidos para a próxima geração de mulheres, mesmo que os seus caminhos sejam distintos. Com palavras diferentes, elas deixam claro para não desistir jamais.