Paulistas se uniram para manter a ordem no país, dentre eles, vários votuporanguenses se engajaram na luta pelo ideal
O obelisco foi erguido para lembrar dos combatentes da Revolução Foto: A Cidade
O Estado de São Paulo comemora hoje o 94º aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932, que mobilizou os paulistas na luta pela ordem do país. A data foi instituída como feriado em todo o Estado a partir de 1997, depois que o governador Mário Covas assinou o projeto de lei aprovado em 96, que transformou o dia 9 de julho no 11º feriado oficial. O autor do projeto foi o deputado estadual José Guilherme Gianetti (PMDB), que se baseou na Constituição Federal de 88, que autoriza a criação de feriados estaduais.
A Revolução teve início no governo do presidente Washington Luiz, eleito em 1926. Sua sucessão foi um dos principais motivos, quando Júlio Prestes, um outro paulista, foi indicado.
Aí, criou-se o impasse, permitindo a articulação de uma candidatura oposicionista, com nome do Rio Grande do Sul; Getúlio Vargas. Ao seu redor formou-se a Aliança Liberal, a qual contou com a adesão de diversas oposições estaduais.
Em 1930, setores ligados ao Exército e grupos de oposição, como o Partido Democrático de São Paulo, passaram a desenvolver discursos incompatíveis com os das oligarquias estaduais, onde os manda-chuvas eram os coronéis do Interior.
Júlio Prestes, candidato oficial à presidência, teve o apoio dos chefes políticos e venceu as eleições com larga vantagem. O patriarca da Aliança Liberal, Borges de Medeiros, e Getúlio Vargas assumiram a eclosão do movimento.
Os paulistas sentiram na pele a repressão que reinava solta por todo o Estado. Com o poder nas mãos de uma única pessoa, as coisas pareciam piorar a cada dia.
O que aconteceu no Estado em 32?
O estopim da revolução foi o assassinato do governador da Paraíba, João Pessoa, e atitudes autoritárias eram tomadas pelo governo central. A consequência foi a posse de Getúlio Vargas no Catete, como chefe do governo provisório, pondo fim ao Partido Democrático de São Paulo, os chefes da revolução não davam como certa a adesão dos paulistas ao novo regime. São Paulo era a oligarquia mais poderosa da Federação, a força cafeeira fazia dela a grande base legalista do país.
Vargas apoiou a ocupação militar de São Paulo e, ao invés de indicar um chefe local, nomeou para interventor do Estado, o tenente pernambucano João Alberto Lins de Barros. Esse ato provocou a irritação dos apostos. Mas foi a política central com relação ao café que forneceu o grande argumento para que a Revolução de 32 fosse interpretada como um movimento de reação. Os paulistas tiveram de amargar a mudança do sistema de garantia e financiamento do plantio do café.
Começaram a surgir grandes manifestações de rua, com participação de estudantes. O apelo e retóricas liberais eram substancialmente opostos àqueles das elites cafeeiras, surgindo então a adesão das massas, conquistando a população ao movimento revolucionário. Os paulistas contavam com poucos recursos para promover a revolução. Foi então que surgiu o "Doe", ouro para o bem de São Paulo. João Alberto foi afastado do cargo em 1931, e para o seu lugar foi nomeado por Vargas, o embaixador paulista Pedro de Toledo, mas os efeitos não foram esperados. Em uma das visitas, o ministro Osvaldo Aranha percebeu que a situação não era favorável e enviou carta ao Catete: "Situação grave".
Contingente
Os dados mais relevantes para os paulistas eram o apoio assegurado pelo interventor do Rio Grande do Sul, Flores da Cunha, e o contingente de 5 mil homens, prometido pelo general Bertoldo Klinger, do Mato Grosso. Flores da Cunha manteve-se fiel ao governo federal e Klinger se demitiu do cargo no começo de julho de 32.
Ideal nacional tem apoio de Votuporanga
Centenas de paulistas se engajaram na luta em defesa da Constituição Federal. Dentre eles, muitos votuporanguenses estiveram enfrentando o inimigo nas trincheiras e nas linhas de combate. Foi inaugurado um monumento em 9 de julho de 1976, durante a gestão de Luiz Garcia De Haro, que homenageia os soldados constitucionalistas na praça próxima ao antigo Terminal Rodoviário José Marão Filho. Nele, constam os seguintes nomes: Alfredo Rodrigues Simões; Aníbal Martins; Aziz José Abdo; Felício Gorayeb; Felipe Munhós; Hernani de Matos Nabuco; Judith Freitas da Silva Saltini; Leônidas Pereira de Almeida; Luiz Saltini; Ofélia Catelli Jabur; Narciso Pelegrini; Olívio Araújo e Nelcíades de Oliveira.