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Saúde
Dermatite atópica atinge milhões de brasileiros, mas a maioria não sabe que tem a doença
Condição crônica da pele é confundida com alergia comum e deixa de ser tratada corretamente, segundo pesquisa do Datafolha encomendada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia
Uma coceira que vai e volta. Pele seca que não melhora com hidratante comum. Manchas avermelhadas nas dobras dos braços, atrás dos joelhos, no pescoço. Para quem convive com esses sintomas, a explicação mais frequente costuma ser simples: "é só uma alergia". O problema é que, em muitos casos, não é. A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele que, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), atinge entre 15% e 25% das crianças e cerca de 7% dos adultos no país. São milhões de pessoas afetadas. Ainda assim, uma pesquisa do Instituto Datafolha revelou que 59% dos brasileiros já apresentaram ao menos um dos sintomas característicos da doença, mas o diagnóstico correto aconteceu em apenas 1% dos casos. O dado é alarmante por um motivo concreto: sem diagnóstico, não há tratamento adequado. E sem tratamento, a doença avança, compromete o sono, a produtividade no trabalho e a convivência social.
Uma doença crônica tratada como problema passageiro "A dermatite atópica não é uma alergia pontual que surge e desaparece. Trata-se de uma condição com componente genético, ligada a falhas na barreira protetora da pele e a uma desregulação do sistema imunológico", afirma um médico dermatologista em Goiânia. Segundo dados publicados nos Anais Brasileiros de Dermatologia, fatores genéticos respondem por até 82% do risco de desenvolvimento da doença. Isso significa que filhos de pais com dermatite atópica têm chances significativamente maiores de desenvolver o problema. E a doença não se limita à infância. De acordo com o estudo ISAAC (International Study of Asthma and Allergies in Childhood), conduzido em sete capitais brasileiras, a prevalência entre crianças e adolescentes varia de 3,4% a 12,5%. Em adultos, os números oscilam entre 2% e 10%, conforme a região e o método de avaliação. O que muitos não sabem é que entre 10% e 30% dos casos que começam na infância persistem até a vida adulta. E quando a dermatite atópica aparece pela primeira vez depois dos 18 anos, o diagnóstico se torna ainda mais difícil, porque os médicos nem sempre associam os sintomas a essa condição.
O clima quente e seco piora o quadro Moradores de regiões com temperaturas elevadas e baixa umidade do ar conhecem bem os efeitos do calor na pele. Votuporanga, no Noroeste Paulista, é um exemplo. A cidade já registrou ondas de calor com temperatura acima dos 40°C e umidade relativa do ar próxima de 30% nos meses mais secos. Esse tipo de clima tem impacto direto sobre quem convive com dermatite atópica. O calor provoca sudorese, e o suor contém sais minerais que irritam a pele já fragilizada. Ao mesmo tempo, ambientes com pouca umidade aceleram a perda de água pela pele, intensificando o ressecamento e a coceira. Não é exagero dizer que, em cidades com verões longos e invernos secos, a dermatite atópica tem terreno fértil para se agravar. Além da temperatura, há outros fatores presentes no dia a dia que funcionam como gatilhos para as crises. Tecidos sintéticos, produtos de limpeza, poeira doméstica, pelos de animais e até o estresse emocional podem desencadear episódios. O ponto é que nenhum desses fatores causa a doença. Eles agravam um quadro que já existe por predisposição biológica.
O preconceito que acompanha a doença A pesquisa do Datafolha encomendada pela SBD trouxe números que dizem muito sobre como a sociedade brasileira enxerga a dermatite atópica. Três em cada dez entrevistados acreditam que a doença é contagiosa, o que é falso. Outros 47% afirmaram que a condição é causada por maus hábitos de higiene, outra informação incorreta. E 36% disseram que pessoas com lesões visíveis na pele não deveriam frequentar espaços públicos, como escolas ou locais de trabalho. Esses dados revelam um problema que vai além do consultório. Quem tem dermatite atópica moderada ou grave carrega, além dos sintomas físicos, o peso do julgamento. Crianças com lesões aparentes sofrem constrangimento na escola. Adultos evitam situações sociais. A doença afeta a autoestima e, em muitos casos, leva ao isolamento. O desconhecimento alimenta o preconceito. A mesma pesquisa mostrou que 41% dos brasileiros sequer reconhecem o que é dermatite atópica. Entre os que já ouviram falar, apenas 4% sabem que dermatite atópica e eczema atópico são a mesma coisa.
Diagnóstico correto depende de avaliação especializada A dermatite atópica é diagnosticada por critérios clínicos. Não existe um exame de sangue ou de imagem que confirme a doença de forma isolada. O diagnóstico depende de uma análise detalhada do histórico do paciente, da distribuição das lesões no corpo, da presença de sintomas como coceira crônica e pele seca, e do histórico familiar de doenças atópicas como asma e rinite alérgica. É justamente por depender de avaliação clínica criteriosa que o papel do especialista se torna decisivo. A pesquisa do Datafolha mostrou que, entre os brasileiros sem sinais da doença, 69% reconhecem a dermatologia como a especialidade mais indicada para esse tipo de problema. Mesmo assim, mais da metade dos adultos que apresentaram três ou mais sintomas não chegou a procurar um médico. Quando procuram, muitos passam por mais de um profissional antes de receber o diagnóstico correto. De acordo com o levantamento, 33% dos pacientes adultos e 67% dos cuidadores de crianças com a doença precisaram consultar dois ou mais médicos até obterem uma resposta adequada. Conforme a dermatologista Dra. Mariana Cabral, que está estabelecida em Goiânia, buscar um médico dermatologista com experiência em doenças inflamatórias da pele é o caminho mais direto para encurtar essa jornada. O diagnóstico precoce muda a trajetória do tratamento e reduz os períodos de crise.
Tratamento existe e evoluiu nos últimos anos O tratamento da dermatite atópica segue uma lógica de etapas. Nos casos leves, o uso diário de hidratantes e emolientes, combinado com medicamentos tópicos como corticosteroides e inibidores de calcineurina, costuma ser suficiente para manter a doença sob controle. A hidratação contínua da pele é, aliás, a base de qualquer plano terapêutico: emolientes ajudam a restaurar a barreira cutânea e reduzem tanto o ressecamento quanto a inflamação. Nos casos moderados a graves, em que as crises são frequentes e as lesões se estendem por áreas maiores do corpo, o tratamento pode incluir fototerapia e medicamentos sistêmicos. Nos últimos anos, a chegada de imunobiológicos ao mercado brasileiro representou um avanço significativo. Medicamentos como o dupilumabe, aprovado pela Anvisa, atuam bloqueando vias inflamatórias específicas e têm mostrado resultados expressivos no controle da doença. Em outubro de 2024, a Anvisa aprovou também o lebrikizumabe, ampliando as opções para pacientes com quadros refratários. O Ministério da Saúde publicou, em 2025, uma consulta pública para a elaboração do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da dermatite atópica no SUS, o que indica um avanço na organização do acesso a essas terapias pelo sistema público. Apesar dessas conquistas, o acesso ainda é desigual. O custo dos imunobiológicos é elevado, e a distribuição pelo SUS depende de critérios que nem todos os pacientes conseguem atender. Um estudo publicado pela Revista de Ciências da Saúde REVIVA apontou que, em média, o tratamento da dermatite atópica compromete 7,5% da renda familiar. Para famílias de baixa renda, esse percentual pode significar a escolha entre tratar a doença e cobrir despesas básicas.
O que o paciente pode fazer no dia a dia Algumas medidas práticas ajudam a reduzir a frequência e a intensidade das crises. Manter a pele hidratada com emolientes logo após o banho, usar sabonetes neutros e sem fragrância, preferir roupas de algodão ao invés de tecidos sintéticos e evitar banhos muito quentes são cuidados simples que fazem diferença concreta. Em regiões como o Noroeste Paulista, onde os períodos de calor intenso e baixa umidade são recorrentes, vale redobrar a atenção ao ambiente doméstico. Manter o ar minimamente umidificado, evitar o acúmulo de poeira e garantir que os produtos de limpeza usados na casa não contenham substâncias irritantes são atitudes que protegem a pele sensível de quem convive com a doença. O mais importante, no entanto, é não normalizar os sintomas. Coceira persistente, pele que descama com frequência e lesões que aparecem sempre nos mesmos lugares do corpo não são sinais que devem ser ignorados. Quanto antes o paciente procurar avaliação médica, maior a chance de controlar a dermatite atópica antes que ela comprometa a qualidade de vida de forma significativa.
Notícia publicada no site: www.acidadevotuporanga.com.br
Endereço da notícia: www.acidadevotuporanga.com.br/saude/2026/03/dermatite-atopica-atinge-milhoes-de-brasileiros-mas-a-maioria-nao-sabe-que-tem-a-doenca-n86674
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