Parlamentares se manifestaram durante a 20ª sessão da Câmara Municipal realizada na noite desta segunda-feira (8)
Na sessão desta segunda-feira (8), Débora Romani e Sargento Moreno falaram sobre a suspensão da vacinação contra a dengue Foto: Assessoria
Daniel Marques
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Vereadores de Votuporanga criticaram a vacina da dengue fabricada pelo Butantan após o Governo Federal suspender a vacinação por conta de reações adversas. As manifestações ocorreram durante a 20ª sessão da Câmara Municipal, realizada na noite de desta segunda-feira (8), quando parlamentares comentaram a decisão envolvendo o imunizante.
Durante a sessão, após a exibição de um vídeo do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a vereadora Débora Romani (PL) fez duras críticas à condução da situação e à suspensão da vacinação. “Canalha! Esse ministro é um canalha! Essa vacina já começou a dar reação não é de agora. Foram segurando e dando a vacina nas pessoas. E agora, simplesmente chega na atual circunstância e suspende a vacinação. Essa vacina da dengue fabricada pelo Butantan. E as pessoas que tomaram a vacina? Quais as futuras reações que elas vão ter ainda?”, declarou.
Na sequência, a parlamentar afirmou que mais pesquisas deveriam ter sido realizadas antes da aplicação da vacina na população. “Muitos pais agora estão com medo de dar vacinas nos filhos. Vacinas que estavam erradicando doenças, por darem reações nos filhos. Agora vem o ministro e suspende a vacinação? Ao invés de eles pesquisarem melhor essa vacina, os problemas que estavam dando, eles estavam preocupados com detergente Ypê!”, afirmou.
Outro vereador que comentou o assunto durante a sessão foi Sargento Moreno (PL). Ao abordar a suspensão da vacinação, o parlamentar também manifestou preocupação em relação ao imunizante. “Essa vacina da dengue, que é feita pelo Butantan, que é feita com uma margem de análise, de experiência, tão mais velhas que a vacina do Covid, hoje ela representa um risco pelas pessoas que estão tomando.”, disse.
‘Não tomo nenhuma’
O vereador Cabo Renato Abdala (PRD) parabenizou seus colegas Débora e Sargento Moreno pela abordagem ao assunto. “Eu, particularmente, sou daqueles que não toma nenhuma pra nada, mas isso é uma postura minha. Não estou incitando ninguém a não tomar vacina. Não tomo nenhuma. A polícia me obrigou a tomar uma vacina lá e eu quase morri; eu peguei medo de vacina. Eu não tomo vacina, então parabéns pela abordagem porque quando foi para criticar o presidente da ocasião, Bolsonaro, fizeram um monte de críticas, e ele falava ‘vacina sem teste é perigoso’. Olha aí: a da dengue, testada, pelo Butantan, tá matando gente aí”, falou.
Suspensão
Ministério da Saúde anunciou a descontinuação temporária da atual estratégia de vacinação da Butantan-DV contra dengue. Com isso, o uso do imunizante fica paralisado para investigação de eventos raros inesperados e incompatíveis com o estudo clínico feito para a aprovação da vacina.
A medida, adotada por precaução e a partir de consenso entre o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ocorre após o registro de 42 casos com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Dentre eles, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos. A identificação desses episódios foi feita pela farmacovigilância – procedimento padrão de monitoramento adotado sempre que um novo insumo desse topo passa a ser usado no Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o Ministério, são eventos raros que correspondem a 0,008% de um total de 500 mil doses aplicadas até 30 de maio – e ainda não há resultado conclusivo sobre a correlação deles com a vacina.