Grazi Cavenaghi (Foto: Divulgação)
Seja incrivelmente bem-vindo ao nosso segundo encontro da série O Espetáculo da Vida. É uma alegria ter você aqui, avançando conosco mais um ato deste espetáculo que é a sua vida. Antes de começar, traga a sua intenção para este momento, porque intenção traz atenção, e tudo em que você coloca atenção na vida cresce.
Estamos no mês de março. Aqui, na InspireAção, o tema é Identidade. E nesta segunda cena, vamos falar sobre algo que molda profundamente quem você acredita ser: as histórias que nos contaram e as que nós mesmos criamos.
Antes de mergulharmos, uma pergunta: que história está dirigindo a sua vida hoje?
Desde que chegamos ao mundo, somos atravessados por palavras. De pais, professores, avós, líderes, pessoas que exercem autoridade sobre nós. A criança, especialmente até os sete anos, absorve tudo como verdade absoluta. Dos sete aos quatorze, ela vai modelando, testando, ajustando. Mas a base já está lá, silenciosa e operante. É por isso que um dos nossos sete princípios é: Seja verdadeiro. Tenha impecabilidade nas suas palavras. As palavras criam a nossa realidade.
Imagine um filho que ouviu da mãe: “Filho, você pode fazer tudo que escolher na vida. Escolhe e vai.” Essa historinha torna-se a espinha dorsal da sua coragem. Cada obstáculo que chega, ele transpõe. Cada porta fechada, ele encontra outra. Porque a história que carrega diz que ele pode tudo.
Agora imagine a mulher que cresceu ouvindo: “Homem não presta, filha. Cuidado.” Essa historinha atravessou a infância, a adolescência e chegou intacta à vida adulta. Hoje ela sabota relações antes mesmo de começarem. Não por escolha consciente, mas porque a história instalada diz que não adianta tentar.
Histórias libertam. Histórias aprisionam. E às vezes basta uma única frase, dita pela pessoa certa, no momento em que você estava completamente aberto ao mundo, para definir qual delas vai morar em você.
Aqui está um dado que muda tudo: das cerca de 35 mil escolhas que fazemos por dia, apenas 5% são conscientes. As outras 95% são repetições automáticas, historinhas rodando em segundo plano, como um programa instalado há décadas. E a ciência vai além: estudos da Epigenética, campo consolidado da Neurociência, demonstram que experiências e padrões de comportamento podem deixar marcas no DNA e ser transmitidos por até três ou quatro gerações. Pesquisas com descendentes de sobreviventes do Holocausto, publicadas na revista Scientific Reports, identificaram alterações epigenéticas confirmadas até a terceira e quarta geração. Ou seja, você pode estar carregando não apenas as histórias da sua infância, mas ecos de experiências que vieram dos seus pais, avós e bisavós.
Mais de 90% do porquê fazemos o que fazemos opera no inconsciente. Nos prendemos nas histórias que criamos ou que nos contaram e as tratamos como verdades imutáveis. E o mais delicado: na maioria das vezes, nem percebemos que estamos fazendo isso.
Dia desses, uma pessoa me disse que estava em crise com o trabalho, que se cansava muito e não sobrava dinheiro. Que gostaria de comprar uma casa, mas a falta de dinheiro estava gerando conflitos com os pais. Fiz algumas perguntas. No final, ela mesma concluiu: “A crise está em mim, não no meu trabalho. Gasto tudo em baladas, durmo de madrugada e acordo tarde. Isso sem falar no estresse que causo em casa.” Agradeceu imensamente por ter enxergado a historinha que contava há tanto tempo e percebeu que era hora de assumir o protagonismo da própria vida.
Assim como ela, muitas vezes não conseguimos enxergar nada de errado nessas historinhas, porque para nós elas são reais.
Há um tipo especial de história que merece atenção redobrada: aquela que soa razoável, que parece justa, mas que, no fundo, encobre o nosso comodismo.
“Eu queria tanto ter começado a ir à academia, mas não tive tempo.”
“Não consegui cumprir a meta porque o mercado esteve difícil.”
Você reconhece alguma dessas? São historinhas que mascaram a zona de conforto, que adiam o movimento, que mantêm tudo exatamente como está.
Queremos mudar, evoluir, agir, mas ficamos esperando o momento certo, a condição perfeita, o galho seguro. Já disse aqui várias vezes: o maior medo do ser humano é se dar bem, ser diferente dos outros. Chega de galhos seguros, vamos voar?
Conta-se que um rei pediu para treinar dois falcões. Depois de muito esforço, apenas um voava. O outro permanecia, dia após dia, tranquilo no mesmo galho. O treinador tentou tudo e nada mudava. Foi então que o jardineiro do reino resolveu o problema com um gesto simples: cortou o galho. E o falcão voou.
Qual galho está sendo o seu repouso? Onde você passa os dias esperando? O que precisa ser cortado para que você finalmente voe?
A palavra de ordem aqui é ação. Aja. Acorde. Pare de inventar desculpas e comece a se perceber: ao contar algo sobre a crise, as suas dificuldades, ou der desculpas, pare e analise se isso é real ou está apenas mascarando a realidade. Perceba a sua historinha de hoje.
Pais, professores, toda pessoa que exerce autoridade, especialmente diante de crianças, carregam um peso enorme. Uma palavra pode ser uma asa ou uma corrente. Mas aqui está a boa notícia: você não é mais criança. A história pode ser reescrita.
Onde você ouviu “homem não presta”, escreva uma nova frase: homem presta sim, e eu posso ter ao meu lado alguém que me honre. Onde ouviu “dinheiro é sujo”, instale uma nova crença: dinheiro é energia limpa e traz momentos extraordinários quando bem utilizado. Isso tem um nome: ressignificação. E ela não apaga o passado. Ela transforma o que o passado significa para o seu presente.
E algo muito importante: as pessoas que criaram histórias limitantes na nossa vida não o fizeram por maldade. Fizeram porque era aquilo em que acreditavam naquele momento. Fizeram, muitas vezes, para nos proteger. Perdoe. Compreenda. E então, com leveza, mude.
Suba no palco da vida e seja você, seja feliz. A verdade é o único caminho, o mundo espera o seu show de ser humano, bom e belo.
Como nos lembra o livro mais lido do mundo, a Bíblia: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8:32.
E como nosso foco é progredir, vamos juntos?
Nesta semana, ligue o botão da percepção e reflita: que história está dirigindo as suas decisões hoje? É uma história de liberdade ou de prisão? Anote. Sinta. Questione. Assuma o protagonismo da sua vida. E então, com coragem, reescreva.
Seguimos juntos, percebendo, ressignificando e colocando a nossa voz única no mundo, porque queremos um eu melhor, as pessoas à nossa volta melhores, um mundo melhor.
Vamos juntos? Porque juntos somos +