Em matéria recentemente publicada encontramos, ou melhor reafirmamos, preocupação com a formação profissional, em diversos setores (cursos superiores) distante das necessidades de criação de pessoas dedicadas à criatividade, inovação e avanços tecnológicos, científicos e conceituais.
Embora os dados digam respeito ao ano de 2024, tabulados e analisados no ano passado, é relevante observar as afirmações contidas no resumo da notícia.
Matéria informa que, embora o Brasil tenha atingido a marca histórica de 10 milhões de estudantes no ensino superior em 2024, esse crescimento não foi acompanhado por um avanço proporcional na pesquisa acadêmica, com o número de títulos de mestrado apresentando uma leve queda. Especialistas apontam que a excelência brasileira em setores como aviação e petróleo depende diretamente da formação de pesquisadores, mas a atividade científica permanece concentrada em apenas 5% das instituições, enfrentando desafios como o baixo investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) — que gira em torno de 1,2% do PIB — e a necessidade de uma integração mais robusta entre as universidades e o setor privado para competir com potências globais.
A atitude investigativa, pesquisa ampliada e elaboração de propostas diferenciadas tem início, em algumas poucas escolas da educação básica, com o envolvimento de crianças e adolescentes com experiências ou análises de fatos da vida real. Vivencio tais mecanismos com meus netos de 8 e 11 anos quando buscam por informações sobre temas provocativos que lhes são propostos.
Chegamos ao ensino superior, que se tornou um espaço de facilidade para adentrar e facilidades ainda maiores para concluir cursos sem a formação desejada. Um dos pontos centrais desta realidade foi, já há muitos anos, a decisão de suprimir dos cursos superiores a obrigatoriedade de Trabalhos de Conclusão de Curso como um dos critérios para a aprovação final dos futuros profissionais. Alguns poucos cursos superiores ainda mantêm esta exigência. Mas, infelizmente, a maioria dos cursos e instituições deixarem de fazer constar em seus Projetos Político Pedagógicos a exigência e, mesmo os que mantiveram não oferecem condições dignas e viáveis aos docentes que orientam tal atividade (produção de trabalho acadêmico dos alunos em processo de conclusão de curso). Noutro ponto, ainda a ser devidamente observado, estão os programas de pós-graduação em nível de Latu Senso que, igualmente, suprimiram a realização dos trabalhos de conclusão de curso.
Simplificando, não tornar possível, viável e coerente a realização de tais ações formativas individualizadas refletem na redução de incentivo ao surgimento de pesquisadores e inovadores em todas as áreas de formação profissional. Sem mencionar a qualidade de tais programas especialmente nas instituições privadas com ofertas na modalidade de ensino a distância.
No futuro, não muito distante, vamos conviver com a baixa qualificação profissional, incluindo neste elenco de fracassos os docentes para a Educação Básica Nacional. Ou estou equivocado?
Parece-nos que o incentivo à pesquisa, iniciando pelos trabalhos de conclusão de curso (retomar a obrigatoriedade devidamente mantida pelas instituições superiores ensino) com a valorização e coerente remuneração dos docentes responsáveis por tais orientações é garantir a possibilidade surgimento de pessoas que superem as mesmices ou tolices.