Creio que todos nós, brasileiros, estamos convivendo de distintas formas e profundidades a questão da confiança que depositamos ou não (ai a desconfiança) em pessoas e instituições.
Embora a confiança tenha como concepção a expectativa que temos de uma pessoa, organização ou sistema e que em todos estes espaços de convivência recebamos atenções de forma previsível, íntegra, cooperativa com empatia e, porque não, alteridade como comportamentos altamente relevantes e presentes.
Confiar é o estabelecimento de uma estrada entre o conhecido e o desconhecido em que nos seja permitido avançar em muitas direções com interação humana, social e afetiva. Nem sempre temos sinais de perigos, riscos, convenções, medos e incertezas ao transitar pelo caminho entre pedras ocultas em mares de incertezas, não é?
Somos altamente vulneráveis, inseguros e dependentes das consequências, positivas ou negativas, dos relacionamentos em que a confiança foi o elo.
São escolhas multifacetadas que perpassam por nossos pensamentos, emoções e ações. Nem sempre podemos, de fato, confiar integralmente nos espaços de convivência, nem mesmo no mínimo relacionamento entre duas pessoas, não é?
Como, então, podemos estabelecer graus elevados de confiança naqueles que nos representam nos escalões de poder socialmente construídos? Um dos mecanismos que temos para o estabelecimento, não tão seguro certamente, de confiança nos que escolhemos como nossos representantes. O voto, não é?
Quando fazemos votos de sucesso, desejamos que a pessoa, instituição ou grupamento conquistem seus desejos. No entanto, quando votamos em alguém para nos representar, o desejo não deveria ser mais do escolhido. Deveria, por dever de obrigação, ser a interpretação dos desejos, necessidades e interesses daqueles que depositaram votos de sucesso.
Infelizmente, não é este o comportamento que observamos na maioria dos nossos representantes. E como assim avaliamos? A confiança deriva da percepção de alguns outros comportamentos claramente expressos pelos eleitos, a saber:
Consistência: A repetição de ações confiáveis fortalece a crença na pessoa ou entidade.
Transparência: Clareza nas ações e objetivos ajuda a minimizar dúvidas.
Empatia: Compreender e respeitar o ponto de vista do outro contribui para criar conexões.
Honestidade: Ser sincero, mesmo diante de situações difíceis, solidifica a confiança.
Você, caro leitor, tem observado a presença de tais atitudes ou comportamentos naquele em quem depositou confiança?
Cabe registrar o comentário de uma grande amiga, a quem submeto meus escritos antes de encaminhar para a avaliação da equipe deste esplêndido jornal.
Concordo que o representante deveria fazer prevalecer o esperado e confiado pelos representados, porém não é fácil entender e atender os desejos da população que mudam de ideia do nada, quando tem alguma. O comportamento do representado é muito importante para que seus representantes não esqueçam o que prometeram e temos meios para isso, acredito que no futuro seremos mais conscientes dos nossos direitos e deveres caro amigo.
O autor se coloca à disposição para troca de posicionamentos, sugestões e críticas pelo e-mail dk.programas@gmail.com.
O autor é professor Doutor em Saúde da Criança e do Adolescente pela Faculdade de Medicina da UNICAMP e Diretor da DK Organização de Eventos e Consultoria em Treinamento.