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Há inúmeras formas de analisar o que se convencionou chamar de fenômeno futebol. Isso ficou ainda mais evidente nos últimos anos, especialmente com a realização de mais uma Copa do Mundo — evento globalmente celebrado, valorizado e comercialmente justificado. Até este fim de semana, quando nossa equipe — alguns insistem em chamá-la de seleção — foi desclassificada precocemente. O resultado escancarou a falta de envolvimento real dos jogadores escolhidos para representar um país que um dia se afirmou como detentor do melhor futebol do mundo. Algumas constatações desmentem essa afirmação equivocada: Esta edição reuniu países que superaram equipes mundialmente famosas, mesmo vindo de territórios marcados por graves dificuldades de sobrevivência; Nações com população menor que muitas capitais brasileiras se apresentaram com dignidade. Mostraram dedicação, esforço e luta que nosso grupo não teve; Nossos jogadores insistiram em conceitos ultrapassados, já superados pelas equipes consideradas “menores”. Não lutavam pela posse de bola. Esperavam que ela chegasse aos pés, sem o esforço visto nos adversários. Basta ver a quantidade de passes errados, bolas perdidas de forma infantil e simulações de faltas; Acreditaram que eram seres superiores, que fariam os gols necessários a qualquer momento. A vitória não veio; Nossos “chutadores de bola” — não posso chamá-los de atletas — exigem riqueza, visual exuberante, zelo com a imagem pessoal e a preservação de salários milionários; Detalhe: nosso primeiro adversário, Marrocos, avançou de fase. Demonstrou desejo de bem representar seu povo, com força, entrega e jogo coletivo. Em nosso grupo de batedores de bola, vimos individualismo exacerbado. Cada um acreditou que, sozinho, venceria e se tornaria ídolo. Na prática, construíram o fracasso já anunciado por boa parte da população brasileira. O espetáculo que esperávamos, ingenuamente, só foi visto na magnitude do palco armado pelos países-sede. Nosso grupo não faz parte desse palco de orgulho e esforço para representar um país com dignidade.
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