Censo municipal aponta cerca de 75 pessoas nessa condição e indica perfil predominante e ações adotadas pelo município
Secretário de Direitos Humanos, Nilton Santiago, conversou com o jornal A Cidade sobre a questão. Foto: Prefeitura de Votuporanga
Da redação
A situação de pessoas em condição de rua segue como um problema em Votuporanga, que registra cerca de 75 indivíduos vivendo nessa realidade, segundo o último Censo Municipal sobre pessoas em situação de rua. E, ao que tudo indica, o problema está longe de ter solução.
A Secretaria Municipal de Direitos Humanos realizou, em 2025, o Censo Municipal sobre pessoas em situação de rua, com coleta de dados voltada a mapear o perfil, as necessidades e a dinâmica dessa população, subsidiando a formulação de políticas públicas. De acordo com o levantamento, considerando a população geral estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 2024) de 100.159 habitantes, foram cadastradas 75 pessoas em situação de rua, o que representa uma proporção de 0,0748% do total do município.
O censo apontou que essa população é majoritariamente composta por homens, adultos jovens, com elevado índice de uso de substâncias psicoativas e histórico de vínculos familiares fragilizados.
No atendimento a esse público, o município tem adotado medidas intersetoriais para inclusão e assistência. Entre as ações implementadas estão a implantação do Consultório na Rua pela Secretaria Municipal da Saúde, a aquisição de 10 vagas em Comunidade Terapêutica com recursos municipais e a contratação de 20 pessoas em situação de rua pelo programa Votuporanga em Ação, com foco na inserção no mercado de trabalho e geração de renda.
Também foi firmado termo de colaboração entre a Secretaria Municipal de Assistência Social e a Casa Abrigo, garantindo vagas de acolhimento institucional destinadas a homens de 18 a 59 anos e 11 meses.
Motivos de permaneceram nas ruas
Questionado sobre os motivos de muitas pessoas em situação de rua não voltarem para casa, o secretário de Direitos Humanos, Nilton Santiago, contou que realidade da população em situação de rua é muito mais complexa e envolve diversos fatores sociais, econômicos e pessoais. “Muitas dessas pessoas enfrentam rompimento de vínculos familiares, desemprego, problemas de saúde mental, dependência de álcool ou outras drogas, além de trajetórias marcadas por vulnerabilidade social acumulada ao longo da vida. Esses fatores dificultam, e em alguns casos até impedem, o retorno imediato ao convívio familiar ou a uma moradia estável”, contou.
Ele destacou ainda que cada situação possui uma história própria. Em alguns casos, há familiares em outras cidades, porém o retorno depende de diversos fatores, como o restabelecimento de vínculos, a aceitação da família, a necessidade de tratamento de saúde ou mesmo a reorganização da vida da própria pessoa. “Também é importante considerar que parte da população em situação de rua que passa pelo município é formada por pessoas em trânsito, conhecidas como “trecheiros”, que não possuem residência fixa e circulam entre diferentes cidades”, acrescentou.
Diante dessa realidade, o município de Votuporanga, apontou Nilton, tem atuado de forma contínua por meio de políticas públicas de assistência e inclusão social. Entre as ações desenvolvidas estão a abordagem social nas ruas, encaminhamentos para serviços de saúde e assistência, apoio na emissão de documentos, oferta de acolhimento e oportunidades de inserção em programas de trabalho, geração de renda e qualificação profissional. “O objetivo dessas iniciativas é justamente criar condições para que essas pessoas possam reconstruir seus projetos de vida e superar a situação de rua. Como resultado desse trabalho, no último ano 10 pessoas conseguiram deixar a situação de rua no município, retomando sua autonomia e dignidade”, concluiu.
Campanha da Fraternidade
A Campanha da Fraternidade deste ano traz como tema “Fraternidade e Moradia”, e o lema é: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). A Campanha da Fraternidade 2026, promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil durante o tempo da Quaresma, propõe a reflexão sobre a realidade da moradia no país, em referência ao mistério da encarnação de Jesus Cristo, destacando a centralidade da dignidade humana e do direito ao lar como expressão concreta da fé cristã e da justiça social.
Em conversa com o A Cidade, Ricardo Gutierre, coordenador da Campanha da Fraternidade na Diocese de Votuporanga, destaca que o maior desafio é “tratar desigualmente os desiguais, ou seja, cada uma dessas pessoas tem histórias diferentes, causas para a situação que se encontram diferentes”. “Sendo assim, é preciso se aproximar delas e dar oportunidades para que elas saiam dessa situação por meio de uma escuta individualizada e criação de uma equipe multidisciplinar envolvendo a Igreja, o poder público e a sociedade civil”, comentou.