Trabalhadores são de vários estados brasileiros e estavam trabalhando em unidades de energia solar da empresa em Magda e Valentim Gentil
Empresários de Votuporanga denunciam calote de empresa contratada pela Sabesp e trabalhadores ficam sem pagamento (Foto: A Cidade)
Fábio Ferreira
Empresários de Votuporanga e região denunciaram prejuízos após a paralisação repentina de obras de usinas fotovoltaicas nos municípios de Valentim Gentil e Magda, executadas pela empresa TAB Energia Renovável Ltda., com sede em Joinville (SC) e contratada pela Sabesp. Além das empresas fornecedoras, trabalhadores também relataram falta de pagamento de salários e abandono por parte da contratante.
Um dos casos é o da Astra Turismo, empresa de transporte sediada em Votuporanga. Segundo o empresário Paulo Ivaldi, em entrevista exclusiva à reportagem, os serviços vinham sendo prestados desde outubro de 2025, com pagamentos regulares até meados de fevereiro deste ano. “A partir daí, a empresa deixou de honrar os compromissos”, afirmou. Ele relata que, com a paralisação das obras na última semana e a dispensa dos funcionários, perdeu o contato com representantes da TAB Energia. O prejuízo estimado é de cerca de R$ 90 mil, e o caso já está sendo encaminhado à Justiça.
Situação semelhante é vivida por um empresário do setor de alimentação, que preferiu não se identificar. Ele fornecia café da manhã, almoço e jantar para cerca de 50 trabalhadores durante dois meses. Apesar de contrato formal e emissão de notas fiscais, recebeu apenas um pagamento parcial de aproximadamente R$ 6 mil, de um total próximo a R$ 100 mil. “A justificativa era de que a Sabesp ainda não havia repassado valores à empresa. Depois disso, todos desapareceram”, relatou. Segundo ele, houve promessa recente de quitação em até dez dias.
Outros estabelecimentos comerciais de Valentim Gentil e Magda também relatam inadimplência e dificuldades para contato com a empresa. De acordo com os empresários, o principal interlocutor da TAB Energia era Marcelo de Souza Felice, gerente de implementação, com quem alegam não conseguir mais comunicação.
A Sabesp foi acionada pelos empresários. Um representante identificado como Murillo informou à reportagem, por telefone, que esteve em Votuporanga para acompanhar a situação e confirmou a interrupção das obras, sem previsão de retomada. Ele também confirmou a dispensa dos funcionários, mas não forneceu novos contatos para esclarecimentos. A reportagem tentou posicionamento oficial da Sabesp, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Trabalhadores relatam abandono
A equipe de reportagem esteve em um dos alojamentos utilizados pela TAB Energia, na rua Itacolomi, em Votuporanga, onde encontrou trabalhadores em situação de incerteza. Muitos vieram de estados como Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e da capital paulista.
“Não recebemos o salário deste mês. Aqui não tem vale, o pagamento é no início do mês, e não caiu”, afirmou um dos trabalhadores. Outro relatou a falta de assistência: “Não tem ninguém da liderança aqui. Nem pra ajudar a gente a ir pra rodoviária. Temos que tirar do próprio bolso”.
Segundo os relatos, cerca de 20 trabalhadores foram demitidos de uma só vez, e outros foram sendo dispensados gradativamente. Muitos estão há dias sem atividades e sem qualquer orientação. Eles também afirmam que a alimentação foi suspensa repentinamente. Na última quinta-feira, a Astra Turismo forneceu café da manhã aos trabalhadores.
“Todo mundo estava trabalhando. Se houve atraso, não foi por culpa dos funcionários”, disse outro trabalhador.
Obras milionárias paralisadas
As obras fazem parte de projetos de geração de energia solar para a Sabesp. Em Valentim Gentil, a usina tem potência instalada de 1.453,20 kWp, com mais de 2 mil módulos fotovoltaicos e investimento de R$ 5,48 milhões. Já em Magda, o projeto é ainda maior, com 2.410,80 kWp e cerca de 3.444 painéis solares, ao custo aproximado de R$ 8,5 milhões.
As iniciativas tinham como objetivo promover eficiência energética e sustentabilidade, com capacidade de abastecer centenas de residências e reduzir a emissão de carbono. As obras estavam em andamento desde agosto de 2025, com previsão de conclusão em até quatro anos.
Posicionamento da empresa
Em nota oficial, a TAB Energia informou que enfrenta um processo de reestruturação financeira. A empresa afirma que está conduzindo tratativas com fornecedores, colaboradores e demais envolvidos “de forma organizada”, buscando preservar as atividades e a continuidade dos projetos.
A companhia declarou ainda que as demandas estão sendo tratadas individualmente, respeitando a equidade entre credores e a confidencialidade das negociações.
Enquanto isso, empresários aguardam uma solução para os prejuízos acumulados, e trabalhadores tentam retornar às suas cidades sem garantias de receber pelos serviços prestados.