Primeira picada aconteceu em meados de 2021 e desde então foi uma média de 15 picadas por ano, algumas vezes são duas por dia
Ilda Rosa de Oliveira, de 78 anos, mostra os vários pontos onde existem entulhos Foto: A Cidade
Da redação
Ilda Rosa de Oliveira, de 78 anos, mora em uma chácara nas proximidades da rodovia Péricles Belini, próximo à Coacavo, há mais de 20 anos. A casa simples fica no meio de um terreno com chiqueiros, galinheiros e plantações.
É neste local que dona Ilda foi picada 83 vezes entre os anos de 2021 e 2026. Apesar disso, ela afirma que não quer mudar. “Eu não gosto da cidade. Aqui, isso daqui pra mim é uma terapia”, conta. Ela relembra que a primeira picada foi em 2021, quando uma das filhas ainda morava com ela. De manhã, ela foi pegar para lavar um tapete úmido que tinha ficado em cima do tanquinho durante a noite, quando foi picada na mão. Desde então, ela foi encontrando mais e mais escorpiões e sendo picada por eles, que se escondem no entulho que deixam em sua propriedade.
Desde então, foi uma média de 15 picadas por ano. Em alguns dias, ela teve o azar de ser picada duas vezes. “Semana passada, foi na terça-feira, eu levei uma de manhã e outra de tarde”, conta ela, mostrando os lugares com o entulho que tenta se livrar para acabar com esses animais que causam tanto sofrimento a ela.
“Como eu fui picada muitas e muitas vezes, então os médicos dizem que eu tenho muita toxina do veneno no meu organismo. E como eu sou hipertensa e tenho pedra no rim, então, quando acontece um negócio desse, que ele pica, o meu rim vai doer mais. A minha cabeça que já dói, vai doer mais. A minha pressão vai subir ainda mais”, explica. Ela conta que, além de gostar de morar na chácara, ela recebe muito pouco como aposentadoria. Seu marido é acamado e mora na cidade com as filhas do primeiro casamento, mas ela explica que está sempre indo lá para ajudar a cuidar dele.
Os escorpiões, apesar de picarem Ilda no terreno, não entram na casa dela. “Lá dentro de casa a gente usa muito produto de limpeza, né? Tem um produto que eu compro de um senhor aí, eu não sei se é por causa disso, não tem cheiro, porque o cheiro é perfume, mas lá dentro eu nunca achei”, explica.
De acordo com a idosa, os escorpiões começaram a aparecer após um parente dela despejar entulho em sua chácara. Ela conta que as pilhas de madeiras próximo à entrada foram trazidas por tal pessoa, assim como sacarias, entulho e outros materiais que servem de terreno fértil para proliferação dos animais. Ela afirma que já pediu repetidas vezes para o responsável retirar o entulho, mas ele não o faz. Ela agora tenta queimar tudo que conseguir, para se livrar das pragas.
Ela também explicou que para pegar os escorpiões e colocá-los em um pote transparente, como em seu vídeo viral, ela usa uma pinça grande de metal e vai levantando os entulhos da sua chácara até achá-los, o que não demora. Só esse ano, enquanto tentava limpar o seu terreno, foram entre 20 a 30 picadas.
Ajuda
Em conversa com o jornal
A Cidade, a vereadora Débora Romani contou que ficou abismada quando soube da situação e vai tentar fazer algo para ajudar Ilda Rosa. “Nós vamos procurar essa pessoa que está jogando entulho na chácara dela para podermos limpar isso tudo”, afirmou a parlamentar.