No Dia do Trabalhado, o A Cidade ouviu três profissionais que trocaram o regime CLT por entregas e afirmam não se arrepender da decisão
O jornal A Cidade ouviu trabalhadores que deixaram o trabalho com carteira assinada e não se arrependem disso Foto: A Cidade
Daniel Marques
daniel@acidadevotuporanga.com.br
Hoje, Dia do Trabalho, votuporanguenses relatam uma mudança no perfil profissional: estão deixando empregos com carteira assinada (CLT) para atuar como motoboys, com faturamento que pode chegar a R$ 15 mil por mês. A reportagem do jornal A Cidade conversou com três homens que fizeram essa transição e afirmam não se arrepender da escolha.
Os entrevistados concordaram em falar sob condição de anonimato, alegando questões de segurança. Um deles, de 40 anos, presta serviço para três empresas e fatura cerca de R$ 7 mil mensais. Ele destaca a flexibilidade como principal vantagem da atividade. “Vejo que uma vantagem é você poder conciliar vários trabalhos em horários diferentes para uma renda melhor. No meu caso, melhor ainda porque eu tenho registro e consigo fazer uma renda por fora”.
A reportagem também conversou com outros dois motoboys, de 22 e 27 anos. O mais velho detalhou o modelo de remuneração por entrega e o volume de trabalho. “Pode colocar aí no mês, R$ 14 mil. A gente recebe R$ 2,60 por pacote. Hoje eu estou com 146. A primeira entrega foi 12h50, três horinhas de trabalho só, parei aqui só pra tomar água, ainda faltam 26 quase”, relatou.
Segundo ele, a carga horária diária varia conforme a demanda. “Tem dia que vem mais, cinco, seis horas você trabalha, tem dia que você trabalha cinco, tem dia que você trabalha quatro horas, tem dia que você trabalha três. Tudo depende do tanto de pacote no dia”.
Os profissionais explicam que nessas horas trabalhadas já está incluído o tempo de organização das rotas, etapa considerada essencial para otimizar as entregas. O motoboy de 27 anos comparou a renda atual com a anterior, quando trabalhava sob regime CLT: “eu ganhava R$ 3 mil pra trabalhar vinte e seis dias, no mês. Vamos pôr com o ticket aí. Ganhava R$ 3 mil, hoje eu estou ganhando R$ 14 mil, chutando baixo”.
Já o jovem de 22 anos relatou os custos envolvidos na atividade. “Manutenção é uns R$ 400 por mês entre combustível e óleo, que é o que mais troca”, contou. As trocas de pneus ocorrem a cada seis meses.
Apesar dos ganhos relatados, os entrevistados reconhecem que há desvantagens. A maioria atua como prestador de serviço, sem vínculo empregatício formal. A ausência de carteira assinada implica na falta de benefícios como FGTS e contribuição ao INSS. Além disso, em casos de doença, acidente ou impossibilidade temporária de trabalho, não há garantia de retorno às atividades nem cobertura financeira durante o período de afastamento.