A ideia da proposta é que os horários sejam os mesmos praticados antes das alterações feitas por Prefeitura e Itamarati
“A nova grade horária reduziu a frequência de viagens em diversos itinerários”, justifica a proposta Foto: Prefeitura de Votuporanga
Da redação
As mudanças nos horários dos ônibus municipais continuam sendo alvo de reclamações por parte dos munícipes, e a Prefeitura de Votuporanga recebeu um pedido oficial para que, em conjunto com a Itamarati, empresa concessionária do transporte coletivo da cidade, faça estudos visando à retomada dos horários anteriormente praticados.
A solicitação foi apresentada na Câmara Municipal. De autoria do vereador O Wartão (União), a proposta não se coloca como impositiva para a volta dos horários antigos, mas apenas pede que a empresa e a Prefeitura realizem estudos para verificar a viabilidade de tal ato. “A nova grade horária reduziu a frequência de viagens em diversos itinerários, aumentando o intervalo entre os ônibus e comprometendo o deslocamento diário da população, especialmente dos trabalhadores que dependem exclusivamente do transporte público para cumprir seus horários de entrada e saída do trabalho”, apontou o parlamentar.
Ele ainda explica que tais atrasos tem gerado longos períodos de espera nos pontos de ônibus e dificuldades de adaptação, afetando diretamente a rotina de centenas de munícipes que utilizam o serviço diariamente para acesso ao trabalho.
Histórico de mudanças
Entre fevereiro e maio deste ano, a Prefeitura de Votuporanga, junto da empresa Itamarati, concessionária de transporte público na cidade, realizaram uma série de mudanças importantes. Em nome da eficiência e pontualidade, duas linhas foram modificadas para atender mais bairros e o horário de todas as linhas que rodam na cidade sofreram modificações.
Em fevereiro, após rumores de que a linha 3 – Colinas iria ser extinta, foi anunciado que o atendimento ao bairro seria incorporado à linha 6 – Pozzobon. Já a linha 3 passou a se chamar Parque Esplanada. A segunda alteração ocorreu em março, quando houve um adiantamento de 10 minutos da primeira viagem de todas as linhas do dia e um atraso pelo mesmo tempo nos horários de volta para casa. A grande mudança, porém, veio em maio, quando foi anunciado que todas as viagens teriam os horários alterados por pedido da Itamarati.
De acordo com o próprio secretário de Trânsito, Marcelo Zeitune, o objetivo da alteração era “garantir mais eficiência, segurança operacional e maior pontualidade no transporte coletivo.” Porém, o que aconteceu com essa série de mudanças foi o descontentamento dos trabalhadores que utilizam ônibus para chegar aos seus locais de trabalho.
O jornal A Cidade conversou com algumas usuárias do transporte público da cidade que se sentiram prejudicadas pelas mudanças. Rosalina da Silva, de 57 anos, é empregada doméstica e mora no bairro Belo Horizonte, mas trabalha na rua Oiapoc. Segundo ela, antes da mudança, ela saía do trabalho e conseguia pegar o ônibus das 16h da linha 1 - Belo Horizonte, que a levava para casa. Porém, com a extinção deste horário, ela afirma que “ou eu corro com o serviço para pegar o das 15h20, que eles colocaram no lugar, ou eu vou ter que esperar o das 17h30 para poder ir embora.”
Mas a indignação dela não é somente na própria situação. A doméstica conta que as pessoas que pegam o mesmo ônibus que ela até o centro, de manhã, e precisam pegar uma segunda condução até o trabalho, agora precisam esperar uma hora entre as duas. “O pessoal tá tudo reclamando que eles têm que ficar uma hora esperando a circular, das 6h até 7h pra pegar outra condução”, afirma.