O documento ainda coloca em cheque a versão de que a queda do pula-pula teria causado a morte da criança; mãe e padrasto ainda são suspeitos
Foto: Arquivo Pessoal
Da redação
O caso de Nicolas, morto em 2023 após sua festa de aniversário em Votuporanga, sofreu uma reviravolta com a conclusão do inquérito policial. As investigações apontam que o menino tinha lesões mais sérias e sinais de agressões em série.
Segundo o inquérito, a versão que a família contou para as autoridades é incompatível com a quantidade e gravidade de lesões na criança, que foram identificados posteriormente pelos médicos. Nicolas vivia com a mãe e o padrasto, que são os principais suspeitos do crime e respondem ao processo em liberdade.
De acordo com a versão apresentada no documento, o garoto teria sofrido a queda no pula-pula na sua festa, no dia 9 de outubro, e dado entrada no hospital com uma fratura no braço direito. Após dois dias, ele voltou à unidade com febre, sendo medicado e liberado.
No dia seguinte, o pai teria levado ele novamente ao hospital por causa da persistência das dores. Exames de tomografia revelaram um quadro grave: quatro costelas fraturadas, outras duas trincadas, além de uma fratura no esterno (um osso plano e alongado localizado na parte central e anterior do tórax).
O laudo destacou que houve uma perfuração do pulmão devido a uma das lesões, o que acumulou líquidos no peito de Nicolas, forçando-o a passar por uma cirurgia para drenagem no dia 13 de outubro. Porém, seu estado de saúde piorou e ele sofreu várias paradas cardiovasculares, morrendo no dia seguinte.
O que o prontuário de atendimentos, que mostrou todas as idas do garoto à unidade de saúde, e o exame de necrópsia mostram é que ele tinha lesões agudas e diversos sintomas de maus tratos, como hematomas e cicatrizes espalhados pelo corpo.
Com todas as evidências reunidas, a Polícia Civil concluiu que o caso é de maus-tratos doméstico com evolução a óbito. Foram dois anos e oito meses de investigações. Apesar disso, o inquérito policial foi concluído sem o indiciamento de suspeitos para que o Ministério Público tenha autonomia para definir a tipificação penal do caso.
A suspeita ainda paira sobre a mãe e padrasto da criança, que mantinham a guarda de Nicolas. Existe a possibilidade de ambos serem intimados por homicídio.