Pioneiros apaixonados pela música, teatro, artes, bandas e violeiros acreditaram na cultura quando quase não havia estrutura
Oscarito - radialista, animador sertanejo e músico acompanhando Cascatinha e Mário Zan e O trio coração de Votuporanga
Da Redação
Muito antes da estrutura cultural que Votuporanga possui hoje — com o Parque da Cultura, Centro de Convenções, Concha Acústica e as políticas públicas que fortalecem a realização de grandes eventos —, existiram homens e mulheres que acreditaram na força transformadora da arte.
Músicos, bandas, violeiros e artistas pioneiros fizeram da cultura um compromisso com a cidade, mesmo quando os recursos eram escassos. Foi deles a iniciativa de plantar as primeiras sementes de uma história que atravessou gerações. Ao longo de seus 89 anos, Votuporanga consolidou uma trajetória marcada pela valorização da arte, da memória e da identidade cultural, construída sobre o legado daqueles que fizeram a cultura acontecer desde os primeiros tempos.
Quando Votuporanga ainda escrevia os primeiros capítulos de sua história, a música sertaneja já encontrava espaço para emocionar e reunir a comunidade. Entre os pioneiros que ajudaram a dar identidade cultural ao município estavam Nhã Mãe e Nhá Fia, dupla formada por Maria Rita de Jesus e Nirvana Rita de Jesus, que levava ao público a essência da autêntica música caipira. Pouco tempo depois, outros talentos mantiveram viva essa tradição, como Assanhaço, nome artístico de Agnelo Ferreira, e Pássaro Preto, Gonçalo Bento Dias.
Oscarito e uma geração que fez a música ecoar além das fronteiras
Nas décadas de 1940 e 1950, entre os talentos que marcaram esse período, destacou-se o sanfoneiro Oscarito, radialista, animador sertanejo e músico que acompanhou grandes nomes da música caipira, como Cascatinha e Mário Zan. Seu talento levou o nome de Votuporanga para além das divisas do município, tornando-se referência para uma geração de artistas. Ao seu lado, outros nomes também ajudaram a construir essa história, entre eles Pioneiro e Jangadeiro, Durval e Durvalino, Cristal e Diamantino, Trio Loló, Zé Jair e Harildo, Viana e Vianinha, Lane e Lanel, Lício e Lécio, Jordão e Galile, o trio Marcelo, Marcílio e Odair, Joãozinho e Marlene, além dos irmãos Wagner, Wainer e Walter.
As orquestras que fizeram Votuporanga dançar
Entre as décadas de 1950 e 1960, a Orquestra Guarany viveu seu período de ouro e tornou-se um dos grandes símbolos da vida cultural de Votuporanga. Sob a regência do maestro Leonel Riva, o grupo, originado da formação de Ditinho e sua orquestra, destacou-se pelo profissionalismo, repertório próprio e apresentações que marcaram uma geração, embalando bailes e festas e deixando um legado inesquecível na história da cidade.
Mais um grupo musical surge em 1964, Tesourinha e seu Conjunto, composto por experientes músicos.
Com o sucesso conquistado, Tesourinha e seu Conjunto passou a se chamar Capri Ritmo. Pouco tempo depois, buscando uma identidade mais forte e comercial, adotou, por sugestão de seu empresário, o nome Banda Jovem Capri. A partir daí, o grupo levou o nome de Votuporanga aos quatro cantos do Brasil, tornando-se um dos maiores símbolos da música produzida na cidade.
Na mesma época, outros conjuntos também ajudaram a fortalecer o cenário musical votuporanguense, como Os Jovens, Modern Vox, Blue Star, Banda Estrutura 1, Grupo Ellus, Banda Gênius, entre tantos outros que fizeram da música um dos grandes patrimônios culturais do município.
João Antônio Nucci era o prefeito quando a corporação musical passa oficialmente a
denominar-se pelo Decreto nº 1.770/77 “Corporação Musical Zéquinha de Abreu”.
Quando o teatro encontrou seu grande pioneiro
A chegada do professor Geraldo Alves Machado a Votuporanga, em 1959, marcou o início de uma nova fase para a cultura local. Formado pela Escola de Belas Artes de Araraquara, ele fundou, em 1961, o Teatro do Estudante de Votuporanga (TEV), responsável por impulsionar as artes cênicas no município. A estreia, em noite de gala no Votuporanga Clube, apresentou as peças A Mão do Macaco, O Protocolo e O Urso, inaugurando uma trajetória que ajudou a consolidar o teatro na cidade.
As peças de teatro da cidade eram apresentadas no cinema, em escolas, no salão social do Votuporanga Clube, no Assary Clube de Campo, no Centro do Professorado Paulista (CPP) e em muitos outros lugares que pudessem abrigá-las, até que em 6 de julho de 1995, quando governava a cidade o prefeito Pedro Stefanelli Filho, e a pasta da Educação e Cultura era dirigida pela professora Marilda Mantovani, foi inaugurado o Teatro Municipal, em parte do prédio do Cine Votuporanga. Em ano de 2010 é entregue ao povo votuporanguense o Centro de Convenções Jornalista Nelson Camargo, mantendo o nome do Tenente Mário Bernardes no auditório.