Painel de resultados do Ministério da Educação mostra que oito das escolas regrediram e coloca a cidade em nível de prioridade “muito alta”
Secretaria Municipal da Educação; o objetivo do estudo, segundo o MEC, é identificar os desafios de cada território, Foto: A Cidade
Da redação
Um novo painel do MEC (Ministério da Educação), revelou que oito das doze escolas municipais de Votuporanga regrediram nas suas notas do Indice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Além disso, o painel colocou a educação municipal como um todo no nível de prioridade “muito alta”.
O estudo, chamado de Brasil Aprende +, leva em conta a classificação do Ideb, o desempenho em matemática e português e a distância entre as notas. O objetivo, segundo o MEC, é identificar os desafios de cada território, chegar às escolas e ajudar as redes na construção de respostas para melhorar a aprendizagem dos estudantes.
O resultado das escolas municipais de Votuporanga chama a atenção por mais de 66% como “Baixa”.
Outro ponto relevante é a diferença entre as duas escolas em pontas opostas do espectro. O CEM Profª. Neyde Tonanni Marão, no bairro Jardim das Palmeiras I, foi a q reportou o pior desempenho na cidade, com resultado de 5,6 no Ideb e notas de português e matemática de 197,4 e 214,27 respectivamente. Já a melhor foi o CEM Prof. Orozimbo Furtado Filho, do distrito de Simonsen, com nota 8,1 no Ideb e 254,58 em português e 289,94 em matemática.
É importante frisar que o CEM Orozimbo é a menor escola da cidade, com apenas 20 alunos matriculados nos anos iniciais do ensino fundamental, comparado com os 86 do CEM Neyde Tonanni.
Cidade estagnou no Ideb
No geral, Votuporanga apresenta uma estagnação da educação básica. Entre 2023 e 2025, a cidade apresentou queda na nota do Ideb, saindo de 6,8 para 6,7, patamar similar de antes da pandemia. Esse resultado aconteceu apesar do aumento expressivo dos gastos da atual gestão na área de Educação. Entre 2023 e 2025, o total gasto na pasta aumentou R$ 24 milhões, saindo de R$ 141.097.783,89 para R$ 165.042.995,46. O crescimento foi de aproximadamente 14,6%.
Resposta da Prefeitura
Em uma nota, o Executivo Municipal argumentou que “Os resultados apresentados pelo Brasil Aprende+ precisam ser analisados com responsabilidade e, principalmente, de forma contextualizada. Mais do que apontar uma causa isolada, os dados mostram que a rede municipal enfrenta desafios relacionados à aprendizagem, à recomposição de habilidades e à desigualdade de desempenho entre as unidades escolares.”
Sobre o desempenho da cidade no Ideb, foi argumentado que “uma alteração no índice não representa, isoladamente, a qualidade de todo o trabalho desenvolvido pelas escolas. A pandemia também deixou efeitos educacionais que ainda repercutem nas trajetórias escolares. A recuperação das aprendizagens não ocorre de maneira uniforme entre os estudantes, o que exige intervenções cada vez mais individualizadas e baseadas em evidências.”
Segundo a Prefeitura, a secretaria de Educação “está estruturando uma política de gestão pedagógica orientada por evidências, utilizando os resultados das avaliações para transformar dados em ações concretas de intervenção.”
Segue a nota completa:
Os resultados apresentados pelo Brasil Aprende+ precisam ser analisados com responsabilidade e, principalmente, de forma contextualizada. Mais do que apontar uma causa isolada, os dados mostram que a rede municipal enfrenta desafios relacionados à aprendizagem, à recomposição de habilidades e à desigualdade de desempenho entre as unidades escolares.
É importante destacar que o Ideb é um indicador composto, que considera tanto o desempenho dos estudantes nas avaliações do Saeb quanto o fluxo escolar. Portanto, uma alteração no índice não representa, isoladamente, a qualidade de todo o trabalho desenvolvido pelas escolas.
A pandemia também deixou efeitos educacionais que ainda repercutem nas trajetórias escolares. A recuperação das aprendizagens não ocorre de maneira uniforme entre os estudantes, o que exige intervenções cada vez mais individualizadas e baseadas em evidências.
Além disso, os resultados de Votuporanga evidenciam uma heterogeneidade importante entre as escolas. Isso significa que não basta olhar apenas para a média municipal: é necessário identificar quais habilidades apresentam maiores fragilidades, em quais anos escolares elas aparecem, quais grupos de estudantes estão mais vulneráveis e quais práticas estão produzindo melhores resultados em cada unidade.
Nesse sentido, a classificação do município como território de “Muita Prioridade” no painel estratégico do Brasil Aprende+ deve ser compreendida como um sinal para intensificar o diagnóstico e as ações de apoio, e não como um julgamento sobre o trabalho realizado pela rede. O painel do MEC foi justamente criado para identificar municípios e escolas que demandam maior atenção e apoiar a tomada de decisões.
Também é importante lembrar que Votuporanga vinha apresentando crescimento no indicador: nos anos iniciais, o Ideb municipal passou de 6,2 em 2021 para 6,8 em 2023. Em 2025, o índice registrado foi 6,7, ou seja, uma redução de 0,1 ponto em relação ao ciclo anterior.
Portanto, os dados não devem ser interpretados como ausência de trabalho ou de avanços, mas como evidência de que é necessário qualificar ainda mais o acompanhamento da aprendizagem e enfrentar as desigualdades existentes dentro da própria rede.
A Secretaria Municipal de Educação está estruturando uma política de gestão pedagógica orientada por evidências, utilizando os resultados das avaliações para transformar dados em ações concretas de intervenção.
Entre as principais medidas estão:
Ampliação do monitoramento da aprendizagem, acompanhando sistematicamente os resultados por escola, ano, turma, estudante e habilidade;
fortalecimento das avaliações diagnósticas e formativas, permitindo identificar precocemente as dificuldades e acompanhar a evolução dos estudantes;
Elaboração de planos de intervenção específicos para cada escola, considerando suas necessidades e não apenas a média da rede;
intensificação do trabalho com as habilidades essenciais de Língua Portuguesa e Matemática, especialmente aquelas que apresentam maiores índices de não consolidação;
Fortalecimento da alfabetização na idade adequada, com acompanhamento mais próximo das aprendizagens do 1º e 2º anos e das ações de recomposição nos anos seguintes;
Formação continuada de professores e coordenadores, articulando avaliação, planejamento, práticas pedagógicas e intervenção;
Acompanhamento sistemático do trabalho pedagógico pelas equipes da Secretaria, com devolutivas às escolas e definição de encaminhamentos;
identificação e disseminação de práticas pedagógicas que apresentam resultados positivos, favorecendo a troca de experiências entre as unidades;
Atenção especial às escolas e grupos de estudantes que apresentam maiores necessidades, buscando reduzir as desigualdades internas da rede;
Articulação com as políticas e programas do MEC, do Estado e do próprio município, aproveitando apoio técnico, formativo e instrumentos disponibilizados para a recomposição das aprendizagens.
A estratégia será baseada em um ciclo contínuo: diagnosticar/ analisar / intervir / acompanhar / replanejar.
A intenção não é preparar a rede apenas para uma próxima avaliação externa. O objetivo é utilizar as avaliações como instrumentos de gestão para garantir que cada estudante tenha seu direito de aprender efetivamente assegurado.
O Brasil Aprende+ segue exatamente essa perspectiva ao propor que os resultados do Ideb 2025 sejam utilizados imediatamente para identificar desafios, definir prioridades, planejar intervenções e acompanhar os resultados, sem esperar pelo próximo ciclo avaliativo.
Assim, os resultados divulgados não serão tratados apenas como um retrato da situação atual, mas como ponto de partida para uma agenda de intervenção pedagógica mais precisa, contínua e orientada por evidências.