Após terminar o primeiro turno atrás, Lula venceu a disputa no segundo turno; em Votuporanga, jovens foram às ruas da cidade em busca de “virar votos”
Juventude de Votuporanga foi às ruas em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, então candidato à reeleição Foto: Gabriely Cassimiro
Daniel Marques
daniel@acidadevotuporanga.com.br
A participação da juventude na campanha do segundo turno das eleições presidenciais é apontada como um dos fatores que contribuíram para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após terminar o primeiro turno atrás, Lula venceu a disputa no segundo turno. Em Votuporanga, jovens foram às ruas da cidade em busca de “virar votos”.
O jornal
A Cidade conversou com Jean Cruz, de 26 anos, servidor público municipal e integrante do coletivo Rede Interior Paulista (RIP). Ele destacou a atuação da juventude durante o segundo turno, especialmente nas ações presenciais realizadas nos bairros e nos territórios da região. “A juventude voltou a desempenhar um papel fundamental na disputa pelo rumo do Brasil. Apesar da importância da mobilização nas redes sociais, foi nas ruas, principalmente nos nossos territórios, que os jovens fizeram a diferença, dialogando diretamente com a população, ficando evidente pelas métricas que os indecisos de Votuporanga compararam e escolheram Lula. No Noroeste Paulista, o sertão se levantou contra o ‘bolsonazismo’. Nossa mobilização mostrou que Votuporanga e região não são territórios exclusivos da direita e que a organização popular pode romper essa hegemonia”, afirmou Jean.
O integrante do RIP também relatou dificuldades para manter um posicionamento político de esquerda em Votuporanga, município que possui predominância de grupos e ideias alinhados à direita. “A repressão, a retaliação e a perseguição são escancaradas. Votuporanga foi fundada por nazistas, uma parte da nossa história que a maioria da população desconhece devido ao apagamento histórico, especialmente da história dos povos originários que viviam aqui. Esse passado não está desconectado do presente: seus reflexos aparecem na política e nos valores que ainda predominam na cidade”, declarou.
Segundo Jean, jovens de esquerda enfrentam preconceito por suas posições políticas. Na avaliação dele, pessoas que se opõem aos interesses dos grupos que considera dominantes podem sofrer retaliações e perseguições. Entre os exemplos citados estão ameaças de demissão em massa e redes de boicote a estabelecimentos comerciais identificados como “lulistas”.
De acordo com o entrevistado, esse ambiente contribui para que parte dos manifestantes prefira esconder o rosto durante atos políticos, por receio de exposição e possíveis consequências pessoais ou profissionais.
Jean também afirma que a juventude de esquerda é frequentemente alvo de estereótipos e acusações relacionadas à desinformação e à participação em manifestações. “A juventude de esquerda ainda é taxada de baderneira, delinquente e desinformada, mesmo quando nossa atuação é fundamentada em estudo, ciência, pesquisa e organização coletiva, é só observar os comentários nos vídeos publicados pelos veículos de imprensa local, não apresentam um argumento sequer, apenas ódio e falácias. Não somos rebeldes sem causa: sabemos contra o que lutamos e onde queremos chegar. Não vamos parar até fortalecer a consciência de classe da população e romper com o monopólio político da extrema direita e do fascismo, especialmente na esfera municipal”, finalizou.